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Energia

EPE quer reforçar ligação entre regiões Sul e Sudeste

25/11/2011 | 10h55
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomendou ao Ministério das Minas e Energia (MME) o reforço do sistema de transmissão entre o Sul e Sudeste/Centro-Oeste do país. O plano é ampliar em 4 mil megawatts (MW) em cada sentido a capacidade de intercâmbio de energia entre as duas regiões do Sistema Interligado Nacional em três etapas, até 2023, com investimento estimado em R$ 1 bilhão.

O Sul pode enviar hoje até 5,6 mil MW para o Sudeste/Centro-Oeste e receber até 7,4 mil MW, a intenção é aumentar esses limites para 9,8 mil MW e 11,3 mil MW, respectivamente, disse o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. O projeto leva em conta a retomada do nível de crescimento da economia e consequentemente da produção e consumo de energia no país. A premissa utilizada no estudo é de uma expansão anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%.

O estudo sugere a implantação de duas linhas com tensão de 500 quilovolts (kV) até 2015, uma delas entre Assis (SP) e Londrina (PR), com 120 quilômetros de extensão, e outra de Itatiba (SP) a Bateias (PR), com 390 quilômetros. Só nesses dois "linhões" o investimento previsto alcança R$ 500 milhões, sem contar reforços no sistema de transmissão em 230 kV e 500 kV dentro da região Sul, que exigirão outros R$ 500 milhões.

Segundo Tolmasquim, o MME já encomendou os levantamentos complementares ao projeto, como rota, impactos ambientais e equipamentos necessários à implantação das linhas. A intenção é licitar os empreendimentos no segundo semestre do ano que vem para que as ligações sejam concluídas em 2015 ou, na melhor das hipóteses, em 2014.

O executivo explicou que apenas parte da capacidade de transmissão entre o Sul e o Sudeste/Centro-Oeste é utilizada devido aos níveis dos reservatórios das hidrelétricas nas duas regiões. Embora o quadro seja "muito confortável", o objetivo é evitar situações como a verificada no racionamento de 2001 na maior parte do país, quando o Sul tinha água de sobra mas não podia enviar energia para fora por falta de linhas, lembrou.

Apesar do ocorrido há dez anos, é a própria região Sul que tem mais a ganhar com o reforço da interligação, porque dispõe de reservatórios menores do que no Sudeste/Centro-Oeste, disse Tolmasquim. "Seria quase como construir uma nova usina no Sul, só que sem os impactos ambientais", comparou o presidente da EPE.

Atualmente a conexão entre as duas regiões é feita através de duas linhas de 500 kV entre Araraquara (SP) e Londrina (PR) e entre Ibiúna (SP) e Bateias (PR), além de uma linha de 750 kV que sai de Itaipu e se divide para chegar a Ibiúna e Tijuco Preto (SP). Conforme o engenheiro Sérgio Lopes, da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a capacidade de geração no Sul, excluindo Itaipu, é de 6 mil MW.


Fonte: Valor Econômico
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