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Opinião

Entrevista com Alberto Machado, diretor executivo da Abimaq

06/04/2015 | 10h24
Entrevista com Alberto Machado, diretor executivo da Abimaq
Divulgação Divulgação

A despeito do vendaval que varreu toda a cadeia produtiva de óleo e gás, com a Petrobras no epicentro da crise que abala os alicerces da economia brasileira, o diretor de Petróleo, Gás, Bionergia e Petroquímica da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Alberto Machado, concedeu uma entrevista exclusiva à TN Petróleo para falar sobre os caminhos a serem tomados diante deste cenário de crise, o ciclo vicioso que se encontra a indústria de máquinas e as perspectivas de recuperação a longo prazo.

TN - O setor de óleo e gás soma 15% do faturamento de R$ 72 bilhões anuais da indústria de máquinas e equipamentos. Entretanto, cerca de seis mil empregos de fornecedoras para o setor de óleo e gás foram cortados desde o início do ano passado, de acordo com dados revelados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Você está vendo algum movimento no sentido de recuperação da indústria brasileira de óleo e gás, naval e offshore? Em sua opinião, quais seriam os caminhos a serem tomados diante desse cenário?
Alberto Machado - O que mais nos preocupa é que, até o momento, não se percebe nenhum sinal de recuperação e nem ao menos algum movimento nesse sentido. Pelo contrário, o cenário tem piorado com novas informações que estão surgindo, como, por exemplo o pedido de recuperação judicial de diversas contratantes de grande porte, fato que tende a ocasionar um “efeito dominó” nos elos seguintes da cadeia de valor. Acreditamos que seja necessário restabelecer a credibilidade em todo o processo, do planejamento à execução e respectivos pagamentos, divulgando novos planos, estabelecendo novas modalidades de contratação e definindo diretrizes claras de aplicação para uma política industrial que permita utilizar todo o potencial de fornecimento local. É de fundamental importância que a indústria consiga sobreviver até que o ritmo de investimentos, tão necessário ao desenvolvimento de nosso país, seja retomado. Torna-se necessário também buscar soluções para a inadimplência de empreiteiras que atualmente tem prejudicando diversos fabricantes de máquinas e equipamentos.

Sobre o ano de 2014, o presidente da Abimaq Carlos Pastoriza disse que “a indústria de máquinas e equipamentos fechou às voltas com a maior crise da sua história”. No fechamento do ano, foi apontado um faturamento bruto real de R$ 71,19 bilhões, uma queda de 13,7% ante 2013. De acordo com a entidade, essa é a terceira queda consecutiva de faturamento anual no setor. Para Pastoriza, a solução para sair do ciclo vicioso em que se encontra a indústria de máquinas é necessário um choque de competitividade sistêmica. Você concorda? Como se daria esse choque?

Sem dúvida. Como já tem sido comentado nos mais diversos fóruns, a indústria de máquinas e equipamentos praticamente não se apropriou da demanda crescente decorrente dos investimentos da Petrobras nos últimos dez anos. A causa principal é justamente a falta de competitividade sistêmica da indústria brasileira, cujas principais deficiências todos conhecemos e estão completamente fora do poder de decisão dos empresários. Os dados estatísticos levantados pela Abimaq demonstram claramente que a indústria tem ainda boa margem de ociosidade a ser utilizada, pois, em média, opera com menos de 70% de sua capacidade instalada, operando em um único turno. Contudo, como as carteiras de contrato estão minguando dia a dia, tememos que muitas empresas não tenham fôlego para aguardar a crise amainar e, certamente, quebrarão antes.

Da metade do ano passado para cá, com os projetos entre Petrobras e empreiteiras suspensos, máquinas que já estavam encomendadas foram abandonadas, enquanto novas encomendas praticamente zeraram: produtos feitos sob encomenda para a Petrobras, especiais para cada projeto, prontos, embalados e parados, não servem para mais ninguém. Para quem vender? O que fazer com esses bens de capital?
Existem dois conjuntos de máquinas e equipamentos prontos, totalizando, em um primeiro levantamento que fizemos, cerca de R$ 300 milhões dos quais R$ 200 milhões correspondem a produtos entregues e não pagos e R$ 100 milhões relativos a materiais prontos, porém não entregues. Como foi comentado acima, esses produtos foram fabricados sob projeto e não são passíveis de utilização em outras aplicações. O melhor modo de recuperar parte do prejuízo dos fabricantes seria aproveitar todos os equipamentos que já haviam sido contratados anteriormente, quaisquer que sejam os detentores dos novos contratos de EPC a serem firmados, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

Segundo nota divulgada pelo Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), não há crise na construção naval. De acordo com o comunicado, “as demissões relacionadas à paralisação de obras no Comperj, incluindo montagem e a construções de equipamentos, atingem empresas que contratam trabalhadores metalúrgicos, o que explica informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores, no Estado do Rio de Janeiro”. Tal declaração corresponde à realidade dos fatos? Você poderia descrever o cenário atual?
Os dados oficiais de que disponho são aqueles relativos ao setor de máquinas e equipamentos mecânicos conforme citado acima. Não temos acesso a outros dados senão àqueles divulgados pelo Sinaval. Entretanto, não acreditamos que o setor de construção naval consiga passar incólume à crise do setor de petróleo e gás, haja vista que os estaleiros de grande porte têm, na quase totalidade de suas carteiras, contratos vultosos com os mesmos atores que, no momento, estão no epicentro da crise que atualmente se abate sobre a indústria nacional. Cabe ressaltar que alguns estaleiros estão operando normalmente e, até mesmo admitindo pessoal, mas não é essa a regra geral.

A indústria de materiais e equipamentos seria afetada por um possível retrocesso do setor naval? Você declarou em matéria veiculada no jornal O Globo (23) que a crise deixou de ser conjuntural para ser estrutural. Por que?
Se for confirmado o retrocesso do setor naval, a indústria de materiais e equipamentos certamente será afetada, apesar de, até o momento, o conteúdo local em máquinas e equipamentos ainda estar muito aquém de nossa capacidade de atendimento. A crise passou a ser estrutural porque não vemos solução dentro dos paradigmas atuais. Não dá mais para continuarmos a fazer mais do mesmo. Uma recuperação do setor passa por modificações significativas nas práticas e procedimentos atualmente em vigor, necessitando, em alguns casos, até de alterações no arcabouço legal do setor. Maximização das compras diretas pela Petrobras, desmembramento de grandes empreendimentos em pacotes menores que sejam acessíveis a empresas de menor porte, foco em projetos de engenharia básica nacionais, entre outros, seriam alguns dos caminhos a serem tentados.



Fonte: Redação TN Petróleo
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