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Energia

Energia limpa e inovação dominam a primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética

31/03/2011 | 09h21
O Conselho Estadual de Política Energética de São Paulo (CEPE) se reuniu pela primeira vez ontem (30) em conferência realizada no Palácio dos Bandeirantes, zona sul da capital paulista. Além do secretário estadual de Energia, José Aníbal, que preside o CEPE, estiveram presentes o governador Geraldo Alckmin, o vice-governador e secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Guilherme Afif Domingos, e os secretários das pastas de Meio-ambiente, Planejamento, Saneamento, Agricultura e Casa Civil. 
  
 
“São Paulo tem tamanho de país. Tem parque industrial e população de país. Temos grandes desafios. Tenho certeza de que o Conselho Estadual de Política Energética trará muitas contribuições a São Paulo e ao Brasil”, disse o governador Geraldo Alckmin, após a apresentação dos membros do CEPE. 
 
  
Além dos titulares das pastas citadas, o CEPE é formado por representantes da Assembleia Legislativa (Rodrigo Del Nero), das universidades públicas (Carlos Alberto Canesin/Unesp), dos institutos de pesquisa (João Fernando Gomes de Oliveira/IPT), da FIESP (Carlos Antonio Cavalcante), da FECOMÉRCIO (Sanae Murayama Saito), da FAESP (Fábio Salles Meirelles), e por quatro membros de notório saber (Prof. José Goldemberg, Prof. José Sidney Martini, Prof. Sérgio Bajay e Prof. David Zyjlbersztajn). 
 

Os debates inaugurais dão uma ideia da variedade de temas e de pontos de vista que o Conselho procura agregar. O prof. José Goldemberg, que abriu as discussões, lembrou que o planejamento energético e as diretrizes estratégicas não podem deixar de lado a questão da sustentabilidade. “Enquanto a Inglaterra cobra 16 € por tonelada emitida de CO2, o governo brasileiro isentou o IPI dos automóveis sem pedir nenhuma contrapartida ambiental das montadoras. É preciso agir”, disse. 
 

Neste sentido, o secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, lembrou aos presentes que o estado já desenvolve óleo diesel a partir de cana-de-açúcar, bem como a Embraer, em parceria com a Azul Linhas Aéreas, já testa em vôos uma nova fórmula de querosene de aviação produzido a partir de Etanol. “É preciso apoiar e aprofundar estas pesquisas. A expertise do Brasil nos biocombustíveis nos dá uma vantagem estratégica que precisa ser melhor aproveitada. Aí está o futuro”, disse. 
 

O representante da Unesp, Carlos Alberto Canesin, destacou que do total de energia de origem fotovoltaica gerada no mundo, aproximadamente 50% é produzida na Alemana, e, outros 30% no Japão. Segundo ele, entretanto, o Brasil, que possui uma irradiação solar muito superior à da Alemanha, não explora ainda este tipo de energia, não incentiva seu uso, nem sequer de forma consistente para o aproveitamento da energia solar para fins de aquecimento de água, o que poderia com certeza substituir todos os chuveiros elétricos do país.
 
 
Ele ressaltou que, para a conversão fotovoltaica e produção de energia elétrica, o país ainda, de fato, não incentiva o desenvolvimento tecnológico e industrial para a produção dos inversores solares que poderão ser conectados à rede de distribuição convencional de energia elétrica.


“Neste sentido, considerando-se estudos que a energia fotovoltaica será uma das energias alternativas renováveis que terá maior crescimento na matriz energética mundial no cenário 2030-2040, torna-se imperativo o seu incentivo e fomento, para que nossas indústrias dominem tal tecnologia e não sejamos importadores da mesma. Assim como a normatização e regulamentação da conexão deste tipo de gerador de energia distribuído nas redes de distribuição de energia elétrica, inclusive, e, principalmente, para conexão na baixa tensão”, comentou.
 
 
  
Outro assunto bastante discutido foi a cogeração a partir do bagaço de cana. José Goldemberg foi enfático nesta questão. “O aproveitamento energético da biomassa é a solução do futuro”, disse. E ainda lembrou que já existem linhas de crédito do BNDES voltadas exclusivamente para a substituição das caldeiras de baixa pressão por outras mais modernas e produtivas. Aproveitando o apelo por soluções racionais, baratas e abundantes, o prof. José Sidney Martini sublinhou uma outra função do CEPE: a de ser um centro indutor de inovação. Como exemplo, citou a discussão atual sobre os royalties do petróleo: “Por que não receber parte do pagamento dos royalties em gás natural?”. 
 

Por fim, o secretário de Energia e presidente do CEPE, José Aníbal, ressaltou a importância de um fórum de discussão e de indução de políticas públicas tão qualificado e variado como o que foi instalado na manhã de hoje. “Unir personalidades de notório saber, representantes do setor produtivo, representantes do governo e dos institutos de pesquisa dá uma boa química. Uns pedem mais foco, outros mais regulamentação, outros pedem mais abertura ao Governo Federal. A demanda sobre a área energética é enorme. Isso mostra como foi oportuna a recriação da Secretaria de Energia e a instalação do Conselho.”, concluiu.   
 

Matriz Energética 2035 também foi lançada hoje 
 

Também foi apresentada hoje, durante a reunião de instalação do CEPE, a Matriz Energética do Estado de São Paulo 2005 – 2035. A Matriz é uma ampla e detalhada pesquisa de projeção de cenários energéticos e sócio-econômicos, cujo objetivo é orientar as futuras ações de governo e as políticas públicas tendo em vista o equilíbrio entre o ritmo do crescimento econômico, a eficiência energética e a redução de custos econômicos e ambientais. 
 
 
Elaborado a partir da análise de dados consolidados e de simulações de desempenho em diversas atividades, o estudo toma por parâmetro para a construção de cenários futuros uma projeção de crescimento médio do PIB do estado da ordem de 3,5% ao ano. A partir deste índice, torna-se viável calcular aproximadamente as necessidades energéticas do estado em números absolutos, bem como por setor econômico e por fonte energética, possibilitando ao poder público uma maior acuidade no planejamento e nos investimentos requeridos. 
 

Na análise global da composição da demanda energética do estado de São Paulo prevista pela Matriz 2035, a demanda de energia, em termos totais, sairá de 51 milhões tOE (2005) para 130 milhões tOE ao final da simulação (2035). A demanda de eletricidade crescerá em média 1,8% ao ano, enquanto a oferta média aumentará 1,3%. Isto significa que, caso sejam mantidas as perspectivas de crescimento em 3,5% ao ano, São Paulo terá que importar energia elétrica, mesmo com o aumento da oferta geral de energéticos. 
 
  
Ainda segundo o estudo, o crescimento do setor de transporte na demanda geral por energia (de 33% em 2005, para 36% em 2035) deverá pressionar a participação do diesel na matriz energética (de 14,9% para 16,3%). Por outro lado, crescerá também a participação de fontes limpas, como o bagaço de cana (de 18,9% para 23,5%), o etanol (4,1% para 7%) e o gás natural (de 6,9% para 10,3%), reduzindo participação da eletricidade na matriz (de 19,9% para 13,9%). O consumo industrial deverá atingir quase a metade de todo o consumo de energéticos (48%). Já o residencial deverá cair pela metade (de 8% para 4%). 


Fonte: Redação
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