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Mudança

Empresários revêem planos de investimento em etanol

18/11/2008 | 02h45

Embaixador do etanol para as Américas, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues está entre os empresários que devem frear investimentos no setor sucroalcooleiro. Rodrigues anunciou em junho deste ano que iria investir junto com um grupo de investidores estrangeiros em uma usina na região do Triângulo Mineiro. Mas esses aportes deverão ocorrer em um ritmo mais lento do que o projetado pelos investidores da Agroerg, que projeta uma usina na cidade mineira de Centralina.

 

“A crise [financeira global] abre um cenário diferente. Há uma mudança no perfil dos investimentos. Os projetos ‘greenfield’ [construção a partir do zero] cedem espaço para as compras de usinas já em operação”, disse Rodrigues, que participou ontem da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em São Paulo, que reúne 92 delegações internacionais e termina na sexta-feira. Dos quase 200 novos projetos de novas plantas no país, menos da metade sairá do papel.

 

Com a limitação de crédito por conta da crise global, muitas usinas do setor sucroalcooleiro estão revendo seus projetos de expansão e até mesmo adiando a construção de novas plantas. Maior fornecedora de equipamentos e de usinas “chave na mão” para o setor sucroalcooleiro, A Dedini Indústrias de Base, de Piracicaba (SP), está com um índice de inadimplência alto. Segundo José Luiz Olivério, vice-presidente de operações da companhia, a empresa está renegociando com os usineiros. A empresa deve encerrar o ano de 2008 com faturamento entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,2 bilhões, aumento de 15% sobre 2007. “Esse bom resultado reflete as vendas anteriores à crise”, ressalva Olivério.

 

Para Rodrigues, que também é co-presidente da Comissão Interamericana do Etanol (CIE), a queda expressiva nos últimos meses não deve inviabilizar os projetos de biocombustíveis no mercado internacional. O barril do petróleo, que está entre US$ 54 e US$ 56, atingiu em julho quase US$ 150, tornando a produção de álcool muito competitiva. “Até US$ 40 [o barril] a produção de álcool [à base de cana] é competitiva”, disse. Mesmo com a crise global, os projetos de estímulo à produção de etanol nos países das Américas e África, coordenados pelos Estados Unidos e Brasil, avançam, afirmou. “Estamos em fase avançada na República Dominicana, El Salvador e Haiti. Também vamos desenvolver projetos na Guatemala, Jamaica, Honduras, Senegal e Guiné-Bissau”, disse. Esses projetos são financiados pelo (Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

 

O agravamento da crise financeira internacional tornou-se um empecilho a mais no desenvolvimento dos biocombustíveis enquanto commodity para comércio internacional, ao inibir o ímpeto de investidores que ainda vêem arestas a serem aparadas neste mercado. Do lado do Brasil e de outros países emergentes, as barreiras impostas pelos países desenvolvidos, sobretudo Estados Unidos e membros da União Européia, desestimula o avanço dos investimentos para a produção de combustíveis renováveis. Do lado americano e europeu, a preocupação reside na inexistência de um número expressivo de países ofertantes de etanol e de regras para padronizar a produção do biocombustível - consideradas duas premissas para a sua utilização como commodity substituidora dos combustíveis fósseis.

 

O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, observou que atualmente 20 países produtores de petróleo fornecem seus derivados a mais de 200 países no mundo. No caso do etanol, aproximadamente cem países têm condições de produzir o combustível renovável, o que possibilitaria a formação de um mercado mais competitivo e menos dependente de interesses de um grupo específico de países.

 

O americano especialista em energia e alimentos, Paul Roberts, ponderou que existe uma forte preocupação nos países desenvolvidos de que os projetos de biocombustíveis não saiam do papel caso os preços do petróleo não voltem aos patamares superiores a US$ 100 por barril. Preocupação também apontada pelo ex-primeiro ministro do Níger e diretor executivo da ONG HUBRural, Ibrahim Assane Mayaki.

 

De acordo com Mayaki, os países do ocidente africano utilizam apenas 12% da área agriculturável e há espaço para investir na produção de combustíveis renováveis. “Poderíamos nos nutrir e nos tornarmos independentes em energia, mas seria preciso investir em infra-estrutura, mudar paradigmas, e não vejo interesse dos investidores nesse sentido”, afirmou Mayaki, que defendeu o desenvolvimento de planos regionais de produção de biocombustíveis.

 

O especialista em biocombustíveis do Imperial College London, Richard Murphy, demonstrou preocupação em relação à oferta de biocombustíveis pelos países emergentes. Ele também demonstrou incerteza quanto à eficiência do etanol enquanto “substituto ideal” para os combustíveis fósseis. “É preciso ter certeza que o etanol vai mitigar os efeitos dos gases estufa. Há várias alternativas ao petróleo. O Reino Unido não poderá cultivar grãos para produzir biomassa e vai depender muito do mundo. Mas precisamos ter parceiros que ofereçam uma produção segura e que seja ambientalmente sustentável”, afirmou.

 

Os EUA e o Brasil são os maiores produtores globais de álcool combustível. Para Christoph Berg, diretor da consultoria alemã F.O. Licht, a produção de etanol de segunda geração pode ser uma alternativa para a garantia de uma matriz energética renovável sem afetar as áreas de alimentos (grãos). Ele afirma que os países produtores de etanol têm condições de oferecer o combustível numa relação de até 10% da oferta global de petróleo apenas utilizando a capacidade instalada atual. Uma demanda superior a essa demandaria a produção do etanol de segunda geração.



Fonte: Valor Econômico
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