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Energia em debate

Eletrobras Eletronorte assina compromisso com índios em Roraima

04/06/2010 | 10h17

A Eletrobras Eletronorte, que já desenvolve os programas indígenas Waimiri Atroari e Parakanã, exemplares na questão e tidos entre os melhores do mundo, assinou termo de compromisso com a Associação dos Povos Indígenas de São Marcos e a Funai para permitir aos índios daquela região de Roraima a gestão autônoma de projetos produtivos nas comunidades. Participaram da assinatura do convênio, no valor de R$ 8 milhões, o diretor de Planejamento e Engenharia da empresa, Adhemar Palocci, o presidente da Funai, Márcio Meira, e os representantes da Associação José Lourenço, Galdino Pereira e Firmino Alfredo.

 


Para José Lourenço,  "o termo é uma alavanca para a nossa melhoria, principalmente para as nossas atividades agropecuárias. Esse momento é um exemplo para as outras terras indígenas. Agradecemos à Eletrobras Eletronorte por contribuir com o futuro do nosso povo". A  Terra  Indígena São Marcos é formada por cerca de cinco mil pessoas das etnias Macuxi, Taurepáng e Wapixana, divididas em 44 aldeias. A principal atividade econômica é a pecuária, mas destaca-se também o plantio da mandioca, milho, feijão e melancia, esta última exportada para o Caribe por algumas comunidades.

 

Adhemar Palocci (ao centro, na foto) explica que o convênio foi firmado em função da Terra Indígena São Marcos ser cortada pela linha de transmissão Santa Elena-Boa Vista (RR), que traz à Roraima a energia elétrica proveniente da Venezuela. "Acho que podemos realizar muitos projetos em oito anos, período de concessão da linha, a exemplo do que vimos realizando há mais de 20 anos na região de Balbina e Tucuruí com os índios Waimiri Atroari e Parakanã". O presidente da Funai, Márcio Meira, também ressaltou esses programas, "que demonstram a maneira sólida de diálogo entre a empresa e os povos indígenas".

 

Histórico - O Programa São Marcos teve início em 1998 com os levantamentos preliminares para a interligação elétrica Brasil/Venezuela. O acordo de compensação pela utilização da Terra Indígena para a passagem da linha de transmissão garantiu, num primeiro momento, a terra de fato, pois apesar de homologada, encontrava-se invadida por 104 fazendeiros. Durante a negociação, a Eletrobras Eletronorte priorizou a mediação, o diálogo e a cooperação.

 

Segundo a antropóloga e consultora indigenista Ana Lange, "o convênio é produto de um processo de discussão longo e profundo, com a realização de assembleias para tentar construir um processo diferente. No início, a necessidade era a regularização fundiária, que foi fundamental para a sobrevivência física e cultural desses povos. Neste novo momento estamos construindo um plano de vida para eles. O valor do termo será usado integralmente para projetos produtivos nas comunidades".
 
 
 
 
 


 
 



Fonte: Redação/ Agências
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