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América do Sul

Eleitor comparece em massa a referendo sobre Chávez

16/08/2004 | 00h00

Os venezuelanos compareceram ontem em grande número para votar no referendo que deve decidir se o presidente Hugo Chávez será ou não afastado do cargo. Até o fechamento desta edição, não havia estimativas sobre o número de eleitores que foram votar, mas durante o dia formaram-se filas de até dois quilômetros em frente aos postos de votação.
A situação fez com que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) prorrogasse duas vezes o encerramento da votação - na primeira vez, por quatro horas e depois por mais quatro. O processo eleitoral, que originalmente deveria se encerrar às 16h (17h em Brasília) estava ontem previsto para terminar às 24h (1h de hoje em Brasília).
Até ontem à noite, não havia informação sobre a percentagem dos 14 mil eleitores registrados na Venezuela haviam ido votar, mas autoridades e observadores concordavam que era recorde.
"É o maior comparecimento às urnas que já vi", disse o ex-presidente americano Jimmy Carter, que está na Venezuela como observador. "Há milhares de pessoas em fila, esperando pacientemente e sem qualquer distúrbio." No fim da tarde, porém, um motoqueiro disparou contra uma fila de eleitores num subúrbio do leste de Caracas, matando uma mulher e ferindo 12 pessoas. Mas, de um modo geral, a eleição foi pacífica.
Esperando a vez de votar, muitos eleitores diziam estar ansiosos para definir se Chávez se manterá até o fim do seu mandato, em 2006, e pôr fim à polarização do país. Desde a primeira eleição de Chávez, em 1998, a Venezuela está dividida politicamente entre os que o apóiam - na maioria, pobres - e os que o acusam de ter tendências autoritárias e de administrar mal a Venezuela.
Um ano depois de eleito, Chávez conseguiu alterar a Constituição - aumentando, entre outras alterações, o mandato do presidente de cinco para seis anos. Antecipou a eleição, e teve uma vitória com 3,76 milhões de votos - 56,2% dos votos válidos em 2000. Iniciou uma série de reformas econômicas que desagradaram empresários. Em abril de 2002, Chávez foi destituído por um golpe militar, mas voltou ao cargo três dias depois.
Em dezembro do ano passado, a oposição conseguiu entrar no CNE com um pedido de referendo sobre a permanência de Chávez no cargo, realizado ontem.
Para afastar o presidente, é preciso não apenas uma vitória do "sim", mas que ela iguale ou supere o número de votos recebidos por Chávez em 2000. Os eleitores usaram ontem máquinas eletrônicas para votar, com toque na tela. Tinham que escolher entre o "sim" e o "não" ao afastamento de Chávez.
"Está na hora de pôr fim a este governo", disse o estudante de economia Humberto Rojas, de 25 anos, que estava na fila para votar em Caracas. Mas pesquisas de intenção de voto que circulavam na semana passada em Caracas - apesar de estar proibida a divulgação dos resultados dessas pesquisas -, mostravam que Chávez poderia vencer com uma margem de pelo menos 300 mil votos.
Se o afastamento vencer, eleições serão convocadas para dentro de 30 dias. A Constituição venezuelana, que prevê a realização do referendo, não deixa claro se Chávez pode se candidatar nessa eleição. Isso deve ser decidido pela Suprema Corte, caso o "sim" vença.
A divulgação de resultados de pesquisa de boca-de-urna estava proibida até o final da votação. Apesar disso, partidários de Chávez e da oposição circularam o que diziam serem resultados de suas pesquisas. Os resultados apresentados, porém, eram favoráveis à posição do grupo que as divulgava.
Tanto Chávez como a oposição disseram que aceitarão o resultado das urnas, mas temia-se um resultado apertado, que poderia manter a polarização do país e dar origem a acusações de fraude, o que propiciaria a violência. O presidente, porém, descartou essas preocupações. A oposição "dizia que o ditador Chávez não concordaria com o referendo", disse o presidente. "Bem, aqui está a prova", acrescentou, referindo-se à votação. Ele previu que o "não" ao seu afastamento vai vencer.
Observadores internacionais, entre eles Carter, o presidente da Organização dos Estados Americanos, César Gaviria, e deputados da Comissão de Relações Exteriores da Câmara do Brasil, acompanham o referendo. "É assim que os conflitos políticos devem ser resolvidos, através de eleições", disse Gaviria.



Fonte: Valor Econômico / a
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