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Infra-estrutura

El Paso reduz atuação na geração térmica e foca

17/02/2006 | 00h00

Companhia americana tem participação em 15 áreas de exploração, das quais duas em produção
 

Uma das mais agressivas empresas americanas a investir em geração termoelétrica no Brasil na década passada, a El Paso se afasta a passos rápidos do segmento no país, depois de enfrentar, e perder na Justiça, disputas com a Eletrobrás, Copel e Petrobras que a forçaram a se desfazer dos seus principais ativos de energia. Agora, a empresa está oferecendo, por R$ 41,92 mil mensais, equivalentes a US$ 14,21 mil, o aluguel de todo o andar térreo do prédio onde tem sua sede, na avenida Pasteur, em Botafogo, zona Sul do Rio.

O objetivo é fazer um "leasing" com validade de três anos. O anúncio foi postado na página da El Paso na internet, onde o nome da cidade foi grafado incorretamente como "Rio de Janiero". Segundo o anúncio, o andar oferecido tem 5.110 metros quadrados e conta com facilidades, além de cinco vagas de garagem.

Considerando-se que o prédio tem 12 andares e uma cobertura, o aluguel do térreo pode não ter grande representatividade, mas no mercado o movimento é visto como o início de uma reorganização da empresa no Brasil, que pode não precisar de tanto espaço no futuro. A El Paso já manifestou anteriormente sua intenção de concentrar seus negócios no Brasil nas áreas de exploração e produção de petróleo e gás.

A empresa americana chegou a gerar 1,5 mil megawatts (MW) térmicos no Brasil, fruto de investimentos superiores a US$ 2 bilhões. Agora, deve ficar com apenas 50% de um ativo de geração: a TermoNorte, em Porto Velho (RO), que tem duas unidades com capacidade de gerar 414 MW e onde é sócia da CS Participações. Ela tem ainda 9,67% da TBG, que opera o trecho brasileiro do gasoduto Bolívia Brasil, e 2% da empresa que controla o trecho boliviano.

Na área de petróleo a El Paso tem participação, sozinha ou com parceiros, em 15 áreas, das quais duas estão em produção: os campos de Pescada e Arabaiana (RN), operados pela Petrobras, que tem 65%. A empresa americana é operadora de dois campos onde descobriu gás: Lagosta, na bacia de Santos, e Sardinha (BA). Ambos ainda estão na fase de análise, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), dos planos de desenvolvimento.

O inferno astral da companhia começou em 2002, logo após a crise desencadeada pelas fraudes contábeis da Enron nos Estados Unidos, e se intensificou em 2003, quando Eletrobrás e a Copel questionaram, quase no mesmo tempo, contratos de compra de energia das usinas da El Paso no Brasil construídas em Manaus (AM) e Araucária (PR). Em 2004 a pressão aumentou, com a decisão da Petrobras de questionar o contrato da térmica Macaé Merchant, no Rio.

Logo que assumiu a presidência da Eletrobrás, em 2003, o físico Luiz Pinguelli Rosa e seu diretor financeiro, Alexandre Magalhães, questionaram a renovação automática dos contratos de compra, pela Manaus Energia (subsidiária da Eletronorte), da energia das térmicas de Manaus.

A Eletronorte fez uma licitação de compra da qual a El Paso não foi autorizada a participar com suas usinas porque a Eletrobrás exigiu que elas fossem retiradas do local onde estão instaladas, em terreno que pertence à Manaus Energia. A solução foi renovar os contratos com as usinas El Paso Rio Negro Energia (até 2007) e com a El Paso Amazonas Energia (até 2008), ao final dos quais as usinas passam para o controle da Eletrobrás.

No Paraná, a El Paso pode estar caminhando para resolver uma dor-de-cabeça que começou imediatamente após a posse do governador Roberto Requião (PMDB), que em 2003 denunciou o contrato de compra, pela Copel, da energia produzida pela térmica de Araucária, na qual a própria Copel e a Petrobras têm participações minoritárias. A pendência está sendo resolvida agora, com a venda da usina para a Copel por US$ 190 milhões. O valor é inferior aos US$ 800 milhões em indenizações e multas pleiteados pela El Paso quando teve início o processo arbitral em Paris.

Com a Petrobras, a companhia americana brigou durante dois anos. Em 2004 a petroleira estatal entrou com processo arbitral para questionar as contribuições de contingência previstas no contrato da Macaé Merchant, que eram bancados integralmente por ela. A briga foi vencida pela estatal, que no dia 3 de fevereiro anunciou a compra da usina por US$ 357,5 milhões, podendo sacar ainda R$ 518 milhões, corrigidos, que estavam depositados em uma conta judicial. A americana alegava ter investido US$ 800 milhões.

O Valor procurou o presidente da El Paso no Brasil, Eduardo Karrer, para comentar os novos rumos da companhia, assim como os planos de alugar parte de sua sede no Rio. A assessoria da companhia informou que ele não vai comentar o assunto.

Em dezembro de 2005 a El Paso reformulou suas operações no Brasil e reduziu o quadro de funcionários. Na ocasião deixaram a companhia os vice-presidentes de regulamentação, Xisto Vieira Filho (que foi secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia na gestão de Rodolpho Tourinho), o de relações institucionais, Roberto Almeida, e o de operações, André Levy. Desde então passou a adotar uma espécie de "lei do silêncio".



Fonte: Valor Econômico
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