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Combustíveis

É a vez da gasolina no tanque do carro flex

24/02/2006 | 00h00

Apesar da atual alta do álcool, montadoras mantêm suas apostas nos carros bicombustíveis.

Os fabricantes de veículos, que sempre se orgulharam de ter desenvolvido uma tecnologia que, ao contrário dos tempos do Proálcool, não deixaria nunca o consumidor na mão, indiretamente confirmam uma conclusão: em boa parte do país, chegou a hora de abastecer o carro bicombustível, o conhecido flex, com gasolina.

Hoje, a relação de preços entre álcool e gasolina só está vantajosa em seis estados - Alagoas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Pernambuco e São Paulo, segundo o último levantamento de preços do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Mesmo nessas regiões, o valor do litro do álcool já começa a se aproximar dos 70%, o limite reconhecido por montadoras e fabricantes de peças para que o abastecimento com o derivado da cana-de-açúcar compense. Já que o consumo do carro movido a álcool é maior. Em São Paulo, Estado com a maior frota de veículos do país, o litro do álcool está em média R$ 1,53 e o da gasolina em R$ 2,374, uma relação de 64,6%.

A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), entidade que reúne os engenheiros das montadoras, tem feito contatos com os usineiros.

"Não podemos chegar numa situação em que ficou tão bom exportar açúcar ou álcool e colocar por água abaixo o maior programa de energia alternativa do mundo", afirma o presidente da AEA, Marcos Saltini.

A falta de estoque estratégico de álcool para abastecer o mercado interno durante a entressafra pode prejudicar as intenções de expansão do setor sucroalcooleiro no mercado interno, segundo fonte do setor. "Eles estão dando um tiro no pé", diz a mesma fonte. "Nenhum consumidor compra carro flex pensando em abastecer com gasolina."

A garantia de abastecimento de álcool foi acertada em "acordo de cavalheiros" fechado entre usineiros e montadoras há quatro anos, quando os dois segmentos se reuniram para discutir o programa dos carros bicombustíveis. Paulo Zanetti, presidente da usina Vale do Ivaí, no Paraná, foi um dos poucos empresários do setor que naquela época acompanhou de perto o início das negociações entre usinas e montadoras antes do lançamento do carro "flex fuel".

"Não chegamos a assinar um acordo, mas demos a garantia de que iríamos abastecer o mercado interno com álcool", diz Zanetti. "Mas nada levava a crer que teríamos problema de desabastecimento", afirma Henry Joseph Jr, gerente de laboratório de testes de motores da Volkswagen.

No início desta semana, o governo federal reuniu-se novamente com as usinas para discutir o aumento dos preços do álcool nas bombas. Para garantir a oferta do insumo até maio, quando a safra de cana se intensifica, o governo decidiu reduzir o índice de mistura do combustível na gasolina de 25% para 20%.

Enquanto isso, os engenheiros da indústria automotiva recomendam ao comprador do carro bicombustível fazer as contas de quanto ele gasta por quilômetro rodado com cada um dos combustíveis e não hesitar em encher o tanque com gasolina.

"Cada um tem que fazer seu teste", diz o vice-presidente da unidade de sistemas da Bosch, Besaliel Botelho. "O motorista do flex tem uma nova cultura; hoje ele não vai mais checar apenas onde a gasolina é mais barata, mas fazer as contas de quanto o seu carro gasta com cada combustível; e ele terá que conviver com sazonalidades como a de hoje", completa.

Embora o maior apelo de marketing do flex seja poder rodar com qualquer um dos combustíveis ou a mistura de ambos, a corrida por esse tipo de motor sempre visou álcool. "Quem comprou o flex prioritariamente pensou no álcool e no valor de revenda de um carro com essa tecnologia", afirma Joseph Jr.

Os modelos com motor bicombustível já representam 72,8% das vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil e as montadoras garantem que não cancelaram nenhum dos próximos lançamentos. As marcas japonesas, Toyota e Honda, ainda não entraram nesse mercado.

Segundo Zanetti, da usina Vale do Ivaí, a escassez atual é sazonal, por conta da entressafra, mas não há nenhum risco de desabastecimento. "Não temos como interferir no preço, mas podemos garantir a oferta", disse.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Rogelio Golfarb, diz que o quadro é preocupante. "Mas entendemos que se trata de uma sazonalidade e esse desequilíbrio não vai se sustentar".

Uma das pioneiras no lançamento do sistema que permite a mistura do álcool e gasolina, a filial brasileira da Bosch começa hoje a orientar o desenvolvimento dessa tecnologia em outros países, como Estados Unidos e Suécia, que já estão testando motores que permitem a mistura de 70% de etanol (extraído do milho ou beterraba) com 30% de gasolina.



Fonte: Valor Econômico
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