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Cana de açúcar

Destilaria Dracena prevê crescimento, mas demite

28/11/2011 | 15h46
Inaugurada em 2006 com capacidade para moer 1,35 milhão de toneladas de cana, a destilaria Dracena, localizada no município paulista de mesmo nome, garante que começará em 2012 a expandir sua capacidade para incluir o açúcar no portfólio. Paradoxalmente, porém, a empresa demitirá mais funcionários do que o normal para esta época do ano.

A partir da ampliação prevista, diz o advogado Cidonio Vilela Gouveia, diretor e sócio da empresa, a meta é alcançar uma moagem de 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15 e também produzir energia elétrica a partir do bagaço e levedura seca para o mercado de ração.

Os investimentos estão estimados entre R$ 160 milhões e R$ 180 milhões, e incluem as áreas industrial e agrícola. "Neste ano renovamos área de cana e plantamos um pouco mais, já com vistas a essa ampliação. As mudas também estão sendo preparadas", afirma ele.

A empresa está concluindo a equação financeira para tocar o planejamento. Espera usar de 30% a 40% de recursos próprios, e o restante virá de financiamento - bancário e de empresas de equipamentos, conforme Gouveia.

Em 2014/15, a empresa pretende produzir, em caso de a matéria-prima ser dividida em parte iguais para etanol e açúcar, 200 milhões de litros de etanol, 200 toneladas de açúcar VHP, 130 mil MW de eletricidade e 70 mil toneladas de levedura. "Já iniciamos o projeto de cogeração e vamos começar a exportar em 2012 um excedente de 35 MW/h", diz o diretor da usina.

Apesar dos planos expansionistas, a companhia também foi prejudicada pela forte quebra da safra de cana neste ciclo 2011/12 no Centro-Sul do país. Nesse contexto, a usina Dracena processou 875 mil toneladas de cana, praticamente 100% próprias. "Compramos pouca cana de terceiros porque o preço não compensou. Estava muito alto", diz Gouveia. Em 2009/10, a empresa bateu seu recorde de processamento, com 1,26 milhão de toneladas.

Foi nesse contexto que a Dracena tomou uma decisão que gerou desconfiança no mercado: dispensar mais da metade dos funcionários - entre safristas e trabalhadores administrativos - na entressafra para reduzir custos, com vistas de recontratá-los um mês antes do início da próxima moagem, previsto para 20 de abril.

"Será uma entressafra longa, de quase seis meses. Fizemos as contas e decidimos que não compensa manter o custo da folha por todo esse tempo", diz Gouveia. Ele conta que entre 370 e 380 funcionários estão sendo dispensados em 30 de novembro, entre safristas e funcionários da área administrativa. O número responde por cerca de 60% da folha de pagamento, formada por 610 funcionários. Normalmente, diz Gouveia, na entressafra são dispensados entre 20% e 25% do pessoal.

Ele esclarece que foi feito acordo com os três sindicatos que representam os trabalhadores da usina. "A maior parte dos que saem, vão com a previsão de serem recontratados um mês antes da safra, ou seja, em março", diz.

As demissões fermentaram especulações de que a Dracena poderia estar mudando de mãos. Apesar do tamanho da unidade, modesto para os padrões atuais do segmento em São Paulo, a Dracena e usinas vizinhas como a Alta Paulista, passaram a frequentar a lista de alvos de grupos maiores por estarem nas imediações da usina Rio Vermelho, comprada em 2010 pela múlti Glencore, que quer avançar no ramo com a formação de um cluster na região de Junqueirópolis. Dracena e Glencore negaram que seja esse o caso.

Luiz Carlos Correa Carvalho, diretor da consultoria Canaplan, diz que é possível que outras usinas que concluíram a safra muito cedo usem a estratégia de reduzir os gastos com folha de pagamento diante da entressafra de quase um semestre, diz. "Mas não há notícias concretas de que isso esteja acontecendo de forma generalizada".


Fonte: Valor Econômico
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