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Rio Oil & Gas

Descobertas do pré-sal dominam a feira

01/09/2008 | 04h42

As descobertas do pré-sal, estimadas em até 80 bilhões de barris, mudam os paradigmas não só da indústria do petróleo, mas do ambiente econômico do País. Confirmados os dados preliminares, as reservas brasileiras se aproximariam das da Arábia Saudita e do Iraque, líderes no ranking. A produção nacional de óleo poderia quintuplicar, chegando a 10 milhões de barris. Gerente do Bloco de Perspectivas Jurídicas e Econômicas da Rio Oil & Gas (ROG), Felipe Dias explica que o interesse despertado pelas descobertas faz prever um número recorde de expositores e visitantes no encontro. "São esperados 35 mil visitantes e 4 mil congressistas, o que seria um público maior do que o registrado em 2000, quando a ROG coincidiu com o Congresso Mundial do Petróleo. Teremos um recorde também em termos de diversidade de países representados," conta.

 

Presidente do IBP, João Carlos França de Luca destaca a amplitude da pauta do congresso. "O pré-sal dominará as discussões, mas há muito o que se debater sobre demanda por equipamentos e mão-de-obra, a importância da abertura do terminal de GNL no Brasil, trazendo flexibilidade para o mercado de suprimento de gás no País, os biocombustíveis, investimentos em infra-estrutura de refino e transporte, e responsabilidade socioambiental."

 

A exposição paraleta também alimenta o entusiasmo do executivo, que preside a Repsol e foi diretor de Exploração & Produção da Petrobras: "A exposição demonstra o volume de recursos e pessoal envolvido com o setor. São empresas e profissionais que cresceram com a abertura do mercado e com o aumento dos investimentos. A indústria tem todo o interesse em contribuir para o debate. Esperamos que todos os envolvidos na discussão aproveitem a Rio Oil & Gas como um fórum qualificado para ampliar e consolidar os debates. Vivemos um dos melhores momentos para a indústria brasileira de petróleo," conclui De Luca.

 

Não há projeções oficiais sobre o volume de investimentos necessário para produzir no pré-sal, camada mais profunda do subsolo marinho, mas o UBS, um dos maiores investment banks do mundo, estimou esse montante em US$ 600 bilhões. A Petrobras previu investimentos da ordem dos mesmos US$ 600 bilhões, no que toca às áreas melhor mapeadas. A projeção, contudo, terá de ser revista caso os preços do aço e dos equipamentos, por exemplo, sigam na trajetória ascendente registrada nos últimos cinco anos.

 

Detentora dos direitos, sozinha ou em parceria com gigantes como Shell e BP, nos principais blocos já mapeados, a Petrobras anunciou a intenção de promover uma capitalização recorde da empresa, da ordem de US$ 100 bilhões, para custear seus projetos na área, que se estende do Espírito Santo a Santa Catarina, com as maiores concentrações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em recente encontro no Planalto, para promover o boom de investimentos vivido pelo País, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, explicou que o desembolso do Plano Estratégico da empresa, de US$ 120 bilhões até 2012, inclui alguns blocos do pré-sal, não toda a área.

 

Literalmente bilionárias, tais cifras garantiriam por si só uma intensa movimentação à Rio Oil & Gas, tanto que os organizadores, como o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), tiveram que reservar espaços extras no Riocentro. O congresso marcado para 15 a 18 deste mês coincide com a reta final dos trabalhos da comissão interministerial encarregada de definir a proposta federal para o pré-sal. A intenção de aumentar o controle da União sobre as reservas e mudar o modelo de concessões deflagrou uma disputa mais ampla, que envolve de conflitos entre facções do governo a quedas-de-braço com estados e municípios.

 

A heterogeneidade do IBP, que reúne a Petrobras a empresas privadas, dificulta uma tomada de posição no debate sobre a partilha dos recursos. "A discussão acontece num cenário digno e correto, de respeito à Constituição. O País está diante de algo (o pré-sal) que muda não só a indústria petrolífera por aqui, mas o ambiente econômico," admite Felipe Dias. Assessor de Economia e Política Energética do IBP, ele adverte para o risco de uma certa paralisia nos investimentos. "A indústria pode pisar no freio, à espera de novas regras. Nesse caso, dinheiro e tempo estão mais ligados do que nunca. Primeiro, por atrasar a produção," alerta. "Há uma corrida para produzir novas sondas de perfuração, capazes de operar em lâminas d'água acima de 2 mil metros. Adiamentos implicam perder um momento favorável de redução expressiva do custo de captação do Brasil, com a recuperação da economia, e marcar passo na corrida por equipamentos altamente especializados, mais difíceis de serem repostos à medida que a exploração vai sendo empurrada para áreas mais profundas e distantes da costa," enfatiza.

 

Advertências desse tipo têm partido de personalidades bem diferentes, do senador do PP Francisco Dornelles, ex-ministro de FHC que integra a base de apoio do governo Lula ao colega do PT Delcídio Amaral, que dirigiu a área de Gás da Petrobras durante a presidência do tucano Henri Philippe Reichstul, e o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, dirigente histórico do PC do B, aliado do PT desde a primeira eleição presidencial disputada por Lula, em 1989.

 

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), manifestam o temor de que a suspensão dos leilões de licitação de blocos, afetando até as área distantes do pré-sal e portanto de maior risco, prejudique as metas de aumento do conteúdo nacional perseguidas pelo próprio governo federal. "No passado, boom de encomendas foi seguido de desaceleração das atividades e deixou os fornecedores a pé no mundo inteiro," lembra Felipe Dias.

 

Fazer a discussão do pré-sal sem pôr a perder o cronograma de investimentos é o desafio que deve polarizar não apenas a Rio Oil & Gas, mais importante encontro da indústria petrolífera no País, mas toda a agenda do setor para este ano e os próximos, conforme adverte o ex-secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo, Wagner Victer.



Fonte: Jornal do Commercio
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