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Internacional

Déficit comercial dos EUA dispara com exportações em queda e petróleo caro

16/08/2004 | 00h00

O déficit comercial americano disparou quase 20% em junho, uma alta inédita, atingindo o recorde de US$ 55,8 bilhões. Houve importações recorde e uma queda inesperada nas exportações.
O mercado ficou chocado com os novos números. "Espero que isso seja um dado isolado e não se confirme nos próximos meses. Se essa tendência se confirmar, estamos vendo uma grande desaceleração na economia dos parceiros comerciais dos EUA", disse o economista-chefe do J.P. Morgan, Jim Glassmann, em entrevista ao Valor. "Foi uma grande surpresa".
O economista Martin Baily, do Institute for International Economics, diz que o número "provavelmente foi uma aberração de um único mês". Para ele, a alta do dólar em relação ao euro está afetando as exportações americanas.
A alta das importações não é tão preocupante, dada a elevação dos preços do petróleo e o aquecimento da economia americana. O que mais assustou os analistas, porém, foi a forte queda nas exportações - de US$ 97 bilhões, em maio, para US$ 92,8 bilhões em junho. O recuo concentrou-se em mercadorias (de US$ 68,7 bilhões para US$ 64,3 bilhões) e não em serviços, que ficaram quase estáveis. Segundo dados do governo, as maiores quedas de vendas de produtos americanos foram em bens de capital e suprimentos industriais.
No primeiro semestre, o déficit comercial dos EUA chegou a US$ 287,7 bilhões, e 2004 poderá ter um déficit bem superior ao recorde de US$ 496,5 bilhões de 2003.
Só o déficit com a China atingiu US$ 14,2 bilhões em junho, um recorde mensal. Mantido esse ritmo, em pouco mais de dois meses a China alcançará só com as vendas aos EUA todo o superávit comercial brasileiro em um ano. A queda de importações de produtos americanos pela China pode estar mostrando os primeiros efeitos da desaceleração da economia chinesa.
Segundo dados do governo, as maiores quedas de exportações em junho foram em produtos agrícolas (afetados pela baixa dos preços nos mercados internacionais), automotivos, outros bens de capital (aviões, semicondutores, computadores e equipamento elétrico, principalmente) e suprimentos para a indústria (especialmente produtos químicos).
O recuo em preços de commodities, porém, não explica toda a queda, segundo o economista do J.P. Morgan. Os índices de preços de produtos importados e exportados pelo país demonstram isso. Os preços de produtos exportados pelos EUA caíram apenas 0,7% em junho. A queda mais significativa foi em preços de produtos agrícolas, de 4,6%, enquanto produtos não agrícolas recuaram 0,2%. Houve alguma recuperação em julho.
Os preços dos importados também caíram, embora menos, 0,1%, e em junho houve ligeira queda nos preços de petróleo (0,9%). A tendência em relação a derivados do petróleo inverteu-se em julho.
A campanha eleitoral acirra o debate sobre o déficit comercial. A Casa Branca culpou o baixo crescimento em outros países pela alta do déficit. Já o candidato democrata, John Kerry, disse que o governo Bush não está fazendo cumprir condições previstas em acordos comerciais. Em entrevista após palestra para pequenos empresários, o secretário do Tesouro, John Snow, disse que "os Estados Unidos estão crescendo muito mais rápido que o resto do mundo, e isso logicamente cria desequilíbrios".
O dólar caiu em relação às outras moedas, assim como as taxas de juros de títulos públicos dos EUA, que refletem a expectativa de alta mais lenta dos juros nos próximos meses.



Fonte: Valor Econômico
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