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Bolívia

Decisão da Repsol não deve afetar a Petrobras

27/01/2006 | 00h00

Com a decisão anunciada da Repsol de reduzir suas reservas de petróleo e gás, principalmente na Bolívia e na Argentina, as maiores dúvidas do mercado hoje se referem aos efeitos da medida para os negócios das empresas de petróleo e o impacto sobre a Petrobras. Isso porque a estatal brasileira é sócia da Repsol em dois campos de gás na Bolívia que tiveram suas reservas revistas: San Alberto e Sábalo, conhecido como San Antonio.

Uma análise mais política da decisão da Repsol é de que a espanhola vai endurecer suas negociações com o governo boliviano em torno da regulamentação da nova Lei de Hidrocarbonetos, que entre outras mudanças, elevou a carga tributária sobre a produção de gás de 18% para 50%.

No momento, as companhias de petróleo analisam as primeiras declarações públicas dos ministros nomeados pelo presidente Evo Morales para o setor.

Mas já causaram espanto as recentes declarações do novo ministro de Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, e do presidente da Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Jorge Alvarado.

Rada manifestou a intenção de interferir nos preços de gás fixados pela Repsol Bolívia para vendas à Repsol Argentina , enquanto Alvarado voltou a mencionar a intenção de "resgatar" as duas refinarias da Bolívia que são controladas pela Petrobras.

Questionado sobre o assunto, o diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, informou, por meio de sua assessoria, que a estatal está "em início de conversações com o novo governo" da Bolívia e que ainda não há novidades sobre o assunto. "Nada temos a declarar por enquanto", disse Cerveró, em tom cauteloso.

Depois da Petrobras, a Repsol é a maior empresa estrangeira atuando na Bolívia. As britânicas BG e BP também têm ativos importantes naquele país, assim como a francesa Total. Pelos cálculos da empresa de consultoria Gás Energy, as companhias estrangeiras colocaram na gaveta investimentos de pelo US$ 7 bilhões na Bolívia por causa das incertezas regulatórias embutidas na nova Lei de Hidrocarbonetos.

Um executivo da Petrobras informou ao Valor que a decisão da Repsol não tem nenhum impacto sobre as reservas da estatal brasileira de petróleo nos campos onde as duas têm sociedade na Bolívia, já que a política da estatal brasileira é dar tratamento "bastante conservador" às reservas nos seus balanços.

A Petrobras tem 35% do campo de San Alberto, onde a espanhola reduziu ontem as reservas provadas em 20,2%, e outros 35% de Sábalo, que tiveram as reservas reduzidas em 21,8%. A Repsol tem participação nesses campos através da empresa Andina, da qual tem 50% junto com fundos de pensão bolivianos.

No último relatório de reservas referentes a 2005 e divulgado no fim do ano passado, a Petrobras reduziu em 191 milhões de barris de óleo equivalente (boe, medida que inclui petróleo e gás) suas reservas na Bolívia e Argentina. Em 31 de dezembro elas foram calculadas em 1,681 bilhão de boe.

O analista Emerson Leite, do banco Crédit Suisse, também acha que a decisão da Repsol tem "pouco impacto" para as reservas provadas da Petrobras medidas segundo critérios da Securities and Exchange Commission (SEC). Ele ressalta que mesmo no pior cenário extremo, se a Petrobras anunciasse uma redução de todas as suas reservas de gás na Bolívia e Argentina, o que Leite frisa ser "um exagero", as reservas provadas totais da companhia seriam reduzidas em apenas 4%.

E, no caso ainda mais extremo de a Petrobras reduzir todas as reservas de petróleo contabilizadas nesses dois países, haveria uma redução de apenas 6,2% nas reservas totais, segundo avaliação do Credit Suisse.

Pelo critério adotado pela SEC - que não permite, por exemplo, a contabilização de quaisquer reservas de gás sem um contrato de venda, ao contrário do petróleo - a Petrobras encerrou 2005 com reservas provadas no Brasil e no exterior de 11,775 bilhões de barris de óleo equivalente, suficientes para sustentar sua atual produção por 15,4 anos.



Fonte: Valor Econômico
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