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Copom

Crise, volatilidade e petróleo devem obstar corte do juro

15/08/2005 | 00h00

Ainda não acontecerá em agosto o início do prometido ciclo de queda da taxa Selic, se for confirmada a previsão da maioria dos analistas consultados pelo Valor na sexta-feira. A expectativa deles é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em sua reunião mensal marcada para esta quarta-feira, decidirá pela permanência do juro básico no mesmo patamar de 19,75% ao qual chegou na reunião de maio, após nove altas seguidas. O BC tenderá a reiterar o conservadorismo pelo menos por mais um mês, apesar de todas as indicações de que poderá conseguir este ano repetir o feito de 2000: o alcance do centro da meta de inflação, algo impensável poucos meses atrás. Dos 15 analistas pesquisados, 10 prevêem a manutenção do juro e 5 crêem na possibilidade de redução.
Tanto a inflação corrente quanto as expectativas estão convergindo para os 5,1% ajustados pelo BC para 2005. Se o mercado enxergasse apenas os "fundamentos", a maior parte das opiniões penderia para o lado da flexibilização monetária - apesar de a última ata do Copom não ter sido benigna o suficiente para sinalizar um viés de afrouxamento. Mas na semana passada o recrudescimento da crise política, com inevitáveis efeitos sobre o câmbio, e a disparada do petróleo forçaram alguns economistas a rever a opinião anterior, de um corte de 0,25 ponto para manutenção do juro. Diante de uma conjuntura saturada de volatilidade e incertezas, nenhum Banco Central se mostrará propenso a abandonar o conservadorismo.
A maioria dos economistas que aposta na estabilidade da taxa em agosto vê, tecnicamente, três obstáculos capazes de dissuadir uma decisão menos ortodoxa do Copom. Os três fatores em relação aos quais pesam incertezas são a escalada do preço do petróleo, a crise política e a atividade econômica ainda aquecida. "A inflação já criou um espaço favorável à queda do juro, mas o BC deve emitir uma mensagem consistente com a sua ortodoxia", diz o economista-chefe do Banco Pátria, Luis Fernando Lopes.
Os economistas do CSFB têm opinião parecida. "Apesar da inflação baixa nos meses de junho e julho, as incertezas sobre a dinâmica inflacionária de médio prazo e possíveis reflexos da crise política nos levam a esperar que a taxa Selic não seja alterada em agosto", diz relatório da instituição. O CSFB projeta Selic de 18% no fim do ano. Ou seja, haverá oportunidade para uma queda de 1,75 ponto nos quatro últimos meses do ano.
Para o economista-chefe do ABN AMRO Real, Mário Mesquita, o desconforto mundial gerado pela decolagem do petróleo pesará muito mais na decisão do Copom de manter a Selic do que os rumos da crise política. "O impacto de um reajuste da gasolina sobre os preços não foi considerado nas atas anteriores", lembra Mesquita.
Quanto à turbulência política, não há sinais de que sairá do controle. O malefício que ela traz à economia é a percepção de que não há mais proteção política nem apoio à política econômica do ministro Antonio Palocci. Os investidores estrangeiros consideraram mais grave a aprovação do salário mínimo de R$ 384 do que o depoimento do publicitário Duda Mendonça.
O diretor-executivo do Banco Itaú Sérgio Werlang - um dos criadores do sistema de metas de inflação implantado no país em 1999, quando ocupou a diretoria de política econômica do BC - não considera gesto audacioso por parte do Copom um corte imediato do juro. Há condições, segundo ele, para uma baixa de 0,50 ponto, mas como o BC é cauteloso deve iniciar o processo de queda com redução de 0,25 ponto. Na opinião de Werlang, nem a crise política nem o petróleo são fatores capazes de interferir numa decisão do Copom favorável à baixa. Nenhum dos dois produziu efeitos nocivos à inflação. "O impacto cambial decorrente da crise não é grande, nem será. Não acredito em disparada do dólar. O efeito petróleo também é limitado, mesmo que haja reajuste dos combustíveis", diz Werlang.
A economista Zeina Latif, da HSBC Investments, que prevê baixa de 0,50 ponto agora em agosto, refuta alguns argumentos pró-manutenção que vêm sendo utilizados. O primeiro: de que se o BC reduzir já o juro, após severo aperto, confessará erro de avaliação da política monetária. Para Zeina, o BC tem credibilidade e reputação suficientes para, diante de uma nova realidade, proceder de acordo com ela. O segundo: de que o juro será mantido porque não se conhece o desempenho do PIB no segundo trimestre, a ser divulgado no fim deste mês. Zeina diz que os principais dados sobre atividade, consumo e vendas já são conhecidos. E eles apontam para uma retomada da economia, mas sem pressões de demanda. O terceiro: de que o BC precisa manter o câmbio apreciado para cumprir a meta de inflação para este ano. Para a economista, dada a defasagem das decisões de política monetária, o Copom já está olhando para a meta de 2006.
A LCA Consultores reduziu de 0,50 ponto para 0,25 ponto a magnitude do corte que prevê já para a reunião desta quarta-feira. Para os economistas da consultoria, o mercado vem assimilando bem as incertezas externas e a conturbada situação política, mas o BC tende a ficar mais cauteloso. Para o fim do ano, projeta Selic de 17%.
A GRC Visão sustenta seu prognóstico de recuo imediato de 0,25 ponto. O núcleo do IPCA, calculado a partir do critério de médias aparadas com suavização, registrou recuo pelo quarto mês consecutivo e ficou em 0,45% em julho contra 0,49% em junho, lembra o economista Jason Vieira. Em termos anualizados, o núcleo ficou em 5,5%, contra 6% em junho, permanecendo pelo segundo mês consecutivo abaixo do limite superior da meta de inflação deste ano (7%) depois de ter flutuado entre 7% e 9% desde outubro de 2004. "A convergência do núcleo para o objetivo perseguido pelo Copom de 5,1% para a inflação deste ano é mais um fator que ratifica a tese de que não há outra alternativa a ele senão reduzir a taxa de juros nesta reunião", diz Vieira.
O economista Marcelo Ribeiro, da distribuidora Pentágono, acredita que o cenário externo ainda está muito favorável e o BC deveria aproveitar essa janela de oportunidade e cortar a Selic em 0,25 ponto. Mas o economista alerta que esse cenário benigno não deverá perdurar. "A mudança cambial na China vai enfraquecer o dólar globalmente, e empurrar os juros americanos para cima", diz Ribeiro. A conseqüência é uma retração na liquidez.
O consultor Miguel Daoud, da Global Financial Advisor, alerta que o BC já pode ter perdido a janela propícia à redução, dada a alta recente dos juros dos títulos americanos de 10 anos. "Esta elevação desencadeia sucessivas conseqüências, como a redução nos próximos meses da liquidez internacional, gerando alta do dólar, o que desencadeia um novo processo inflacionário", diz o consultor.



Fonte: Valor Econômico
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