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Cotação

Crise líbia faz petróleo subir e afeta empresas europeias

22/02/2011 | 09h54

A violência no Norte da África começou a afetar a produção de petróleo ontem, quando as petrolíferas estrangeiras instaladas na Líbia suspenderam suas operações e retiraram pessoal para locais seguros, em meio a distúrbios crescentes entre partidários e opositores do coronel Muamar Gadafi.

 

Os temores de impacto da crise política na oferta mundial de petróleo impulsionaram a cotação da commodity ontem, com o barril de referência europeu Brent chegando a superar US$ 105, a maior cotação em dois anos e meio. O barril do Brent com entrega em abril subiu US$ 2,37, para US$ 104,89 na bolsa ICE Futures. O mercado americano esteve fechado ontem por ser feriado nos EUA.

 

Duas das três principais agências de classificação de risco rebaixaram as notas de Bahrein e Líbia, fazendo com que o custo de fazer seguro para as dívidas soberanas do Oriente Médio e da África subisse. A Fitch rebaixou a Líbia para BBB devido à "erupção de risco político", enquanto a Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito soberano do Bahrein para A-, devido à expectativa de os protestos políticos no país continuarem mesmo após o governo usar a força.

 

A turbulência crescente ameaça desfazer o esforço de empresas como BP e de governos como o do Reino Unido que, sedentos por acesso ao petróleo líbio, passaram anos cortejando Gadafi, apesar de terem sido muito criticados.

 

Até esta semana, a convulsão social no Norte da África e no Oriente Médio surtiu pouco efeito real no equilíbrio mundial da oferta de combustíveis. Navios-tanque continuaram transitando pelo Canal de Suez apesar dos gigantescos protestos que derrubaram o ditador egípcio Hosni Mubarak.

 

Mas isso mudou ontem quando a Wintershall, a divisão de exploração de petróleo e gás da alemã Basf e uma das maiores petrolíferas na Líbia, anunciou a suspensão da produção de cerca de 100 mil barris diários - quase o dobro de sua produção diária do Bahrein. Ela também informou que está retirando 130 funcionários da Líbia, ou um terço de sua equipe no país.

 

A Wintershall, que opera na Líbia desde 1958, explora atualmente oito campos no Deserto da Líbia, cerca de 350 quilômetros ao sudoeste de Benghazi - a cidade costeira cujo controle opositores de Gadafi supostamente assumiram.

 

O leste da Líbia, onde ocorrem a maior parte dos confrontos, responde por cerca de metade da produção diária de 1,8 milhão de barris do país, segundo a Agência Internacional de Energia. O líder de uma tribo do leste, Al-Zuwayya, ameaçou cortar a exportação de petróleo a não ser que as autoridades interrompam o que ele chamou de "opressão dos manifestantes", informou a agência Reuters.

 

David Fyfe, analista sênior de mercado petrolífero da AIE, disse que a perda de tanta produção "é uma fonte de preocupação", mas "não de pânico". Ela não terá impacto substancial no suprimento.

 

A BP anunciou ontem que suspendeu preparativos para uma série de poços exploratórios no Deserto da Líbia, e que está se preparando para retirar funcionários e suas famílias. A empresa britânica ainda não produz na Líbia, mas tem um ambicioso programa.

 

A italiana Eni, maior petrolífera na Líbia, onde produz 244 mil barris diários, anunciou que ia retirar todos os funcionários não essenciais e seus dependentes, embora tenha informado também que isso não afetará a produção. A petrolífera norueguesa Statoil disse que já fechou seu escritório em Trípoli.

 

A Líbia foi nos anos 70 um dos maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), com mais de 3 milhões de barris diários. Por um breve período, produziu mais que a Arábia Saudita, a âncora da Opep.

 

Mas, depois do golpe em 1969 que colocou Gadafi no poder e da posterior estatização da indústria petrolífera, a produção caiu muito, afetada por sanções internacionais, cotas da Opep e má gestão.

 

A Líbia produz hoje cerca de 1,8 milhão de barris/dia - uns 2% do suprimento mundial. Boa parte é exportada e qualquer interrupção pode prejudicar refinarias na França, Itália e Espanha.

 

Mas, apesar do temor mundial, os mercados estão atualmente bem supridos, dizem analistas. Embora os estoques tenham caído nos últimos seis meses, ainda há petróleo guardado o suficiente para cobrir a demanda futura. E, numa situação de escassez, a Opep pode voltar a usar seus 6 milhões de b/dia de capacidade ociosa.

 

Desde que as sanções americanas e europeias à Líbia foram diminuídas, em 2004, as petrolíferas internacionais começaram a voltar ao país, atraídas pela reserva calculadas em 44,3 bilhões de barris - a maior da África. Em 2007, a BP fechou acordo de US$ 900 milhões com a Líbia, o maior compromisso de exploração já fechado pelo país. A Royal Dutch Shell fechou grande acordo parecido, dois anos antes.

 

O pacto com a BP - assinado na Líbia pelo coronel Gadafi e o então premiê britânico Tony Blair - ficou conhecido como Acordo no Deserto e tinha riscos substanciais. Ele ocorreu num momento em que Blair e o governo britânico pressionavam por um acordo de transferência de prisioneiros que poderia ter permitido que Abdel Baset Al-Megrahi - a única pessoa condenada pelo atentado de 1998 contra um voo comercial sobre a Escócia - voltasse à Líbia.

 

Megrahi, que tem câncer de próstata, acabou sendo solto no ano passado, de acordo com uma lei escocesa que permite a libertação com fins humanitários. Mas a iniciativa britânica e da BP de defender sua soltura tem perseguido os dois desde então, motivando uma série de investigações no Reino Unido e nos EUA que ainda estão em curso. Essas investigações devem aumentar agora que o líder líbio está recorrendo à violência para se manter no poder.

 

Com o tempo, a Líbia fez alguns leilões de licenças de exploração de petróleo e gás, vendendo várias concessões para petrolíferas de países ricos. Mas os resultados foram ambíguos, e o entusiasmo inicial com o fim das sanções esmoreceu. A falta de grandes descobertas de jazidas levou algumas empresas, como a britânica BG Group, a simplesmente abandonar a Líbia.

 

As petrolíferas ocidentais também reclamaram da decisão da estatal líbia de piorar significativamente os impostos de seus contratos de partilha de produção com as petrolíferas estrangeiras. Analistas dizem que os contratos são agora tão desfavoráveis que as empresas terão dificuldade para obter bons lucros com suas descobertas.

 

O país também se provou um lugar difícil para se fazer negócio, prejudicado por uma burocracia kafkiana, demora na tomada de decisões e o comportamento altamente imprevisível de Gadafi. Isso motivou muita gente a questionar a ambição da Líbia voltar à sua produção do auge dos anos 70, de 3 milhões de barris/dia, até 2015.

 



Fonte: Valor Econômico
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