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Internacional

Crise das refinarias ameaça a segurança energética da Europa

27/06/2013 | 11h19

 

Algumas das maiores economias da Europa enfrentam risco cada vez maior de interrupção no fornecimento de combustível, uma vez que os problemas comerciais que já levaram várias refinarias de petróleo na região a fechar parecem destinados a agravar-se.
A vulnerabilidade do setor vem atraindo a atenção das autoridades, com a segurança no abastecimento de combustíveis ganhando importância nas agendas de muitos governos e órgãos reguladores. Sua preocupação é que a necessidade de importar volumes maiores de combustível leve à alta dos preços na bomba de gasolina para um consumidor já às voltas com uma economia fragilizada.
"Se essa tendência continuar, a Comissão Europeia provavelmente terá de levar isso em conta", disse Pedro Miras, presidente da Cores, a agência espanhola responsável pelas reservas estratégicas de petróleo, e presidente da comissão para questões emergenciais da Agência Internacional de Energia (AIE). O fechamento de refinarias "poderia afetar a segurança no fornecimento no longo prazo", disse.
As refinarias europeias, já ficando antigas, lutam para adaptar-se à demanda menor e à queda nas margens de lucro que acompanharam a desaceleração da economia. Também foram atingidas pelo aumento da concorrência, após a construção de novas refinarias no Oriente Médio e Ásia, que têm custos operacionais mais baixos.
Desde 2008, 15 refinarias europeias deixaram de operar, deixando ociosos 8% da capacidade de processamento de combustíveis da região, e muitas outras reduziram a produção. Como resultado, mesmo com o consumo total de petróleo tendo recuado na Europa, a proporção de produtos petrolíferos refinados importados subiu de 20%, em 2007, para 28%, no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da AIE.
Agora, a AIE alerta para o grande volume que virá das novas refinarias na Ásia e Oriente Médio, que poderia elevar a capacidade mundial de processamento de petróleo bruto para o recorde de 77 milhões de barris diários no terceiro trimestre, espremendo ainda mais as margens de lucro e levando a possíveis novos fechamentos.
"Isso pode ser particularmente perigoso, se a Europa tornar-se totalmente dependente de importações e não puder suportar suas próprias necessidades de consumo", disse Massimo Vacca, um porta-voz da Saras, que opera uma refinaria que processa 300 mil barris por dia na Sardenha.
As refinarias na Itália enfrentam uma situação "muito difícil", disse Alessandro Gilotti, presidente da Unione Petrolifera. "Algumas refinarias [italianas] poderão ser fechadas nos próximos um a dois anos, com a possibilidade de uma delas parar de operar já em 2013".
O problema tem assumido especial urgência no Reino Unido desde o repentino fechamento, no ano passado, da refinaria Coryton, na esteira da falência de sua proprietária, a Petroplus. "O fechamento da Coryton ficou efetivamente marcado como um sinal de advertência para a gravidade da situação", disse Alan Whitehead, um parlamentar do Partido Trabalhista, de oposição, e membro da Comissão de Mudanças Climáticas da Câmara dos Comuns. A refinaria de Coryton era uma das maiores e mais modernas instalações na Europa e fornecia 10% do combustível consumido no Reino Unido.
O Reino Unido viu o número de suas refinarias cair para sete - das 18 em operação em 1970. "A segurança do suprimento energético é uma de nossas principais políticas no Departamento de Energia", disse o ministro da Energia do Reino Unido, Michael Fallon, em audiência parlamentar na terça-feira, quando indagado sobre se a perda da capacidade de refino pode ser um perigo para o Reino Unido.
Outros países tiveram experiências semelhantes. Segundo dados da BP, a maior perda de capacidade de refino entre 2008 e 2012 foi a sofrida pela França, de 25%. O potencial da Alemanha recuou 12% no mesmo período, comparativamente aos 11% perdidos pelo Reino Unido e aos 8% pela Itália.
Isso aconteceu, em muitos casos, apesar de grandes esforços dos governos europeus. A refinaria de Petit-Couronne na França definhou no mercado por 15 meses enquanto o governo enfrentava dificuldades para intermediar um acordo destinado a salvar a empresa. Os planos de venda fracassaram depois que um tribunal considerou insuficiente o financiamento com que contavam os últimos dois potenciais compradores.
"Toda a Europa está à venda, mas ninguém quer comprar", disse um alto executivo do setor de comercialização e refino de petróleo que preferiu não ter seu nome divulgado.
Novos fechamentos de refinarias tornarão a Europa ainda mais vulnerável ao desabastecimento se "os produtores estrangeiros privilegiarem suas necessidades internas de consumo, em detrimento da manutenção das exportações, principalmente em tempos de pico de demanda interna", disse Vacca, porta-voz da Saras.
O aumento das importações, além disso, poderá resultar em uma alta dos preços nos postos de gasolina devido à elevação dos custos de transporte e de armazenagem, afirmou a AIE.
Mas uma intervenção governamental para salvar o setor de refino da Europa é uma proposta difícil de ser aceita numa região que sofre tanto de um processo de estagnação da economia quanto de acentuados cortes de gastos públicos. É necessário um investimento adicional de US$ 21 bilhões em melhorias e modernizações até 2020 apenas para manter as refinarias em operação, segundo relatório publicado pela Comissão Europeia em maio.

Algumas das maiores economias da Europa enfrentam risco cada vez maior de interrupção no fornecimento de combustível, uma vez que os problemas comerciais que já levaram várias refinarias de petróleo na região a fechar parecem destinados a agravar-se.


A vulnerabilidade do setor vem atraindo a atenção das autoridades, com a segurança no abastecimento de combustíveis ganhando importância nas agendas de muitos governos e órgãos reguladores. Sua preocupação é que a necessidade de importar volumes maiores de combustível leve à alta dos preços na bomba de gasolina para um consumidor já às voltas com uma economia fragilizada.


"Se essa tendência continuar, a Comissão Europeia provavelmente terá de levar isso em conta", disse Pedro Miras, presidente da Cores, a agência espanhola responsável pelas reservas estratégicas de petróleo, e presidente da comissão para questões emergenciais da Agência Internacional de Energia (AIE). O fechamento de refinarias "poderia afetar a segurança no fornecimento no longo prazo", disse.


As refinarias europeias, já ficando antigas, lutam para adaptar-se à demanda menor e à queda nas margens de lucro que acompanharam a desaceleração da economia. Também foram atingidas pelo aumento da concorrência, após a construção de novas refinarias no Oriente Médio e Ásia, que têm custos operacionais mais baixos.


Desde 2008, 15 refinarias europeias deixaram de operar, deixando ociosos 8% da capacidade de processamento de combustíveis da região, e muitas outras reduziram a produção. Como resultado, mesmo com o consumo total de petróleo tendo recuado na Europa, a proporção de produtos petrolíferos refinados importados subiu de 20%, em 2007, para 28%, no primeiro trimestre deste ano, segundo dados da AIE.


Agora, a AIE alerta para o grande volume que virá das novas refinarias na Ásia e Oriente Médio, que poderia elevar a capacidade mundial de processamento de petróleo bruto para o recorde de 77 milhões de barris diários no terceiro trimestre, espremendo ainda mais as margens de lucro e levando a possíveis novos fechamentos.


"Isso pode ser particularmente perigoso, se a Europa tornar-se totalmente dependente de importações e não puder suportar suas próprias necessidades de consumo", disse Massimo Vacca, um porta-voz da Saras, que opera uma refinaria que processa 300 mil barris por dia na Sardenha.


As refinarias na Itália enfrentam uma situação "muito difícil", disse Alessandro Gilotti, presidente da Unione Petrolifera. "Algumas refinarias [italianas] poderão ser fechadas nos próximos um a dois anos, com a possibilidade de uma delas parar de operar já em 2013".


O problema tem assumido especial urgência no Reino Unido desde o repentino fechamento, no ano passado, da refinaria Coryton, na esteira da falência de sua proprietária, a Petroplus. "O fechamento da Coryton ficou efetivamente marcado como um sinal de advertência para a gravidade da situação", disse Alan Whitehead, um parlamentar do Partido Trabalhista, de oposição, e membro da Comissão de Mudanças Climáticas da Câmara dos Comuns. A refinaria de Coryton era uma das maiores e mais modernas instalações na Europa e fornecia 10% do combustível consumido no Reino Unido.


O Reino Unido viu o número de suas refinarias cair para sete - das 18 em operação em 1970. "A segurança do suprimento energético é uma de nossas principais políticas no Departamento de Energia", disse o ministro da Energia do Reino Unido, Michael Fallon, em audiência parlamentar na terça-feira, quando indagado sobre se a perda da capacidade de refino pode ser um perigo para o Reino Unido.


Outros países tiveram experiências semelhantes. Segundo dados da BP, a maior perda de capacidade de refino entre 2008 e 2012 foi a sofrida pela França, de 25%. O potencial da Alemanha recuou 12% no mesmo período, comparativamente aos 11% perdidos pelo Reino Unido e aos 8% pela Itália.


Isso aconteceu, em muitos casos, apesar de grandes esforços dos governos europeus. A refinaria de Petit-Couronne na França definhou no mercado por 15 meses enquanto o governo enfrentava dificuldades para intermediar um acordo destinado a salvar a empresa. Os planos de venda fracassaram depois que um tribunal considerou insuficiente o financiamento com que contavam os últimos dois potenciais compradores.


"Toda a Europa está à venda, mas ninguém quer comprar", disse um alto executivo do setor de comercialização e refino de petróleo que preferiu não ter seu nome divulgado.


Novos fechamentos de refinarias tornarão a Europa ainda mais vulnerável ao desabastecimento se "os produtores estrangeiros privilegiarem suas necessidades internas de consumo, em detrimento da manutenção das exportações, principalmente em tempos de pico de demanda interna", disse Vacca, porta-voz da Saras.


O aumento das importações, além disso, poderá resultar em uma alta dos preços nos postos de gasolina devido à elevação dos custos de transporte e de armazenagem, afirmou a AIE.


Mas uma intervenção governamental para salvar o setor de refino da Europa é uma proposta difícil de ser aceita numa região que sofre tanto de um processo de estagnação da economia quanto de acentuados cortes de gastos públicos. É necessário um investimento adicional de US$ 21 bilhões em melhorias e modernizações até 2020 apenas para manter as refinarias em operação, segundo relatório publicado pela Comissão Europeia em maio.

 



Fonte: Valor Econômico
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