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Conteúdo local na marca do pênalti, por Thiago Valejo Rodrigues

06/02/2017 | 14h36
Conteúdo local na marca do pênalti, por Thiago Valejo Rodrigues
Antonio Batalha, Firjan Antonio Batalha, Firjan

Muito se tem falado sobre o conteúdo local nos investimentos de Petróleo e Gás. Se fôssemos comparar o momento atual com um clássico do futebol mundial, um Brasil versus Alemanha, nosso país teria como adversário e favorito à vitória o time das empresas operadoras, jogando no ataque para decidir um placar já desequilibrado. No time brasileiro, estariam os fornecedores de bens e serviços, lutando para se manter em campo.

Na arquibancada, os torcedores do time favorito vibram com a possibilidade da entrada em campo de reforços internacionais. Do outro lado da torcida, os milhões de trabalhadores da indústria torcem para que o adversário não seja ainda mais favorecido.

Essa atmosfera de tensão traduz, em parte, os últimos acontecimentos no mercado de petróleo. Diferentemente de verdadeira uma partida de futebol, a disputa em torno do conteúdo local não está sendo devidamente acompanhada pela grande maioria da sociedade brasileira, que desconhece o verdadeiro risco de sair perdendo.

Ao olharmos da beira do campo logo identificamos que o time jogando contra o Brasil não é alemão. Na verdade estamos enfrentando a China, que hoje detém boa parte da dívida da Petrobras. Esta, no papel de técnico, comanda a estratégia de jogo do adversário, para se recuperar financeiramente.

Ao mudarmos de posição para observar os ânimos nos camarotes do estádio, vemos os cartolas de nosso próprio país com as atenções voltadas apenas para o já prometido prêmio que virá com a derrota do Brasil e o fim do conteúdo local. Estamos falando de mais de 8 bilhões de reais nos cofres do Governo Federal, ainda em 2017, referentes à assinatura de novos contratos de exploração de petróleo.

A regra que permite a participação da indústria nacional nas oportunidades do mercado de petróleo não é o impedimento para compras internacionais ou atração de capital estrangeiro. Pelo contrário. Foi o que trouxe diversas empresas a contribuírem com o desenvolvimento do País. Essas empresas são as mesmas que estão aqui instaladas e agora com risco de fecharem suas portas.

Sem a sinalização de qualquer alento, para agora ou para as oportunidades que virão com os novos leilões, a indústria nacional vai acabar suspensa de próximas partidas, sem chance de voltar para o campeonato. Estaremos condicionados apenas a exportar petróleo bruto, sem agregar valor para a indústria brasileira.

A decisão que está em jogo vale mais do que uma final de Copa do Mundo. Isso porque tem o potencial de dizimar não apenas o trabalho de um João, um Adir e uma Maria, e sim de mais de 1,5 milhão de empregos no Brasil. Sem comentar os impactos na economia com a diminuição de arrecadação de impostos, geração de renda e seus efeitos multiplicadores.

O que ninguém está olhando no momento da partida, mas que influencia diretamente no resultado, é o que equivaleria a falta de um centro de treinamento esportivo e a ausência de tática, se estivéssemos mesmo falando de futebol. Cansamos de ouvir a expressão Custo Brasil, que se refere às necessidades de reformas estruturais nas áreas tributária, fiscal e trabalhista, e que causam as mais duras lesões para a nossa indústria.

No momento da penalidade máxima, o gol não é expulsar a indústria nacional das quatro linhas. O gol é fazer com que os brasileiros tenham, de fato, as mesmas condições de competir que os estrangeiros.

O patrocínio do Governo Federal não pode apenas favorecer os operadores com a isenção de impostos por meio de mecanismos que incentivam os investimentos externos. O papel do Governo deve ser o de ajudar o seu próprio time e de impulsionar os seus jogadores, os fornecedores que já estão aqui, a competir de igual para igual.

O que é preciso destacar é que o jogo deveria ser um amistoso em prol da energia que move o mundo. Enquanto o cronômetro continuar correndo, ainda é possível fazer as devidas substituições dentro de campo. Essas mudanças devem ser feitas para resgatar o verdadeiro espírito da partida: a recuperação do mercado de petróleo no Brasil.

 

Sobre o autor: Thiago Valejo Rodrigues é coordenador de Conteúdo Estratégico Petróleo, Gás e Naval do Sistema FIRJAN



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