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Empresas

Conter queda da produção é o desafio da Petrobras em 2013

07/01/2013 | 12h28

 

Além dos problemas de sempre, entre os quais os prejuízos contínuos com a venda subsidiada de gasolina e diesel, o grande desafio da Petrobras em 2013 é conter a abrupta queda na produção de petróleo a partir de 2009 nos campos antigos. A menor produção significa mais dificuldade para transformar os pesados investimentos da companhia em receitas, e o tamanho do tombo atingiu níveis alarmantes nos últimos três anos.
Em 2012, a Petrobras pode registrar a terceira queda da produção total em seus 59 anos de existência. A primeira aconteceu em 1990, durante o governo de Fernando Collor, e a segunda em 2004, quando a companhia produziu 3% menos que no ano anterior. Apesar de ter alcançado um aumento de 1,5% na produção em novembro, a estatal poderá ter encerrado 2012 e passar todo o ano de 2013 sem obter nenhuma grande alteração na produção de óleo e condensado pelo terceiro ano consecutivo. Até novembro, a produção de 2012 estava em 1,968 milhão de barris diários, 2,3% abaixo dos 2,021 milhões de barris diários que atingiu em 2011.
Para entender o declínio da produção da petrolífera brasileira, a Bradesco Corretora analisou a vazão de óleo de 8.878 poços de extração em terra e no mar registrados no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da ANP, ao longo de sete anos, entre agosto de 2006 e agosto de 2012. Em agosto de 2011 o país produziu 2,052 milhões de barris de óleo e condensado. Doze meses depois, a produção era de 2,006 milhões. Mas quando descontada a produção (500 mil barris) de novos poços que entraram em operação no período, o que se vê é que a taxa de declínio da produção foi de 40% entre um ano e outro. Em volumes, esse percentual significou redução de 679 mil barris por dia - mais de um quarto da produção nacional - da qual a Petrobras responde por 91,5%, seguida por Statoil (1,9%), BG (1,3%) e Sinochem (1,2%).
Os números mostram uma aceleração do declínio da produção maior do que a geologia pode explicar. A média histórica de queda registrada na indústria, sempre mencionada pela estatal, varia entre 7% e 10% da produção anual. Mas essa taxa se refere à chamada depleção natural dos campos, que é causada pela queda de pressão dos reservatórios ou das reservas em consequência da extração de fluidos.
Os dados do Bradesco Corretora compilados pelos analistas Auro Rozembaum, Bruno Varella e Marcos Dong com base no BDEP impressionam. Entre 2005 e 2010 o declínio da produção foi de 32%, percentual que subiu para 38% entre 2010 e 2011, chegando aos 40% entre 2011 e 2012. Não só o declínio é maior que a média, como estava acelerando. O tema preocupa enormemente a ANP.
O analista Rozembaum, da Bradesco, explica que para analisar as causas desse declínio os poços foram divididos em duas categorias: os terminados ou descontinuados (seja para manutenção ou por falta de equipamento) e os que foram continuados, além dos novos.
Se desconsiderada a produção de novos poços que foram substituindo os que estavam em declínio ou foram fechados, a queda na produção no espaço de um ano foi de 27%. Ou seja, se a Petrobras não tivesse colocado nenhum poço novo em operação, os 2,052 milhões de barris ao dia produzidos no Brasil em agosto de 2011 estariam em apenas 1,506 milhão de barris diários um ano depois, uma queda de 27%. Como foram adicionados 500 mil barris produzidos por 834 novos poços perfurados (alguns em campos antigos) no final a queda líquida foi de 2,2%.
O declínio pode ser visto de vários ângulos. A queda da produção dos poços antigos como percentual da produção saltou de 11% em 2006 para 27% em 2012. "É uma bicicleta que, enquanto estiver desse jeito, não adianta pedalar. Eles vão ficar pedalando e acrescentando produção nova, mas o ralo está muito grande. É preciso fechar esse ralo", resume Rozembaum, lembrando que a Petrobras já está corrigindo o problema com os investimentos do Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef).
O analista destaca que a forte piora da produção da Petrobras nos últimos dois anos é explicada pela descoberta do pré-sal, em 2007, que mudou o resultado do jogo. "Naquela época a Petrobras não tinha nem equipamentos nem dinheiro e precisou refazer não apenas sua estratégia como também sua escala de produção. Naquela altura, resolver o problema do dinheiro foi fácil, mas demorou cinco anos para chegar ao número adequado de sondas capazes de perfurar em águas profundas", diz Rozenbaum.
Com o pré-sal, a Petrobras se deparou com uma "Escolha de Sofia", título do relatório do Bradesco emprestado do livro de William Clark Styronx em que uma mãe judia foi obrigada por um nazista a escolher qual dos dois filhos seria levado para a câmara de gás. No caso da estatal, a escolha impossível significou usar equipamentos disponíveis para manter os níveis de produção da época ou cumprir os compromissos de exploração do pré-sal para atender os prazos estipulados pela ANP para não perder áreas.
A decisão, conhecida, foi correta, diz Auro Rozembaum. Apesar de ter resultado na difícil situação atual, o analista do Bradesco vê uma série de boas notícias. A primeira delas é que a Petrobras já tem 40 sondas de perfuração à sua disposição, a segunda é que a queda da produção não se deveu ao esgotamento dos reservatórios - caso do México -, mas sim à falta de equipamentos que levou a uma manutenção inadequada dos ativos. "A terceira boa notícia é que a produção do pré-sal é uma surpresa positiva e ficou muito além das expectativas", diz.
Os poços do pré-sal estão produzindo uma média de 26 mil a 32 mil barris de petróleo por dia, muito além da expectativa inicial da Petrobras, que era de produzir 15 mil barris diários, na média.
Em dezembro, a presidente da Petrobras, Graça Foster, usou a palavra "manutenção" para descrever sua expectativa de performance da produção em 2013.
Essa também é a expectativa de bancos de investimentos, que só esperam uma reação em 2014. Para 2013, o Bradesco não vê aumento e o Credit Suisse espera uma média de 2,016 milhões de barris por dia, 0,25% menor que os 2,021 milhões de barris/dia registrados em 2011.
O Itaú BBA é mais pessimista: espera queda de 2% no ano passado e para 2013, a expectativa é que a produção seja de 1,985 milhão de barris diários devido ao grande numero de paradas e o esperado atraso na entrega de novas plataformas com capacidade total de processar 590 mil barris de petróleo. As novas unidades são a Cidade de São Paulo e Cidade de Paraty (nos campos de Sapinhoá e Lula Nordeste, no pré-sal da Bacia de Santos) e as plataformas P-61 e P-63 (Papa-Terra) e P-55 (Roncador).

Além dos problemas de sempre, entre os quais os prejuízos contínuos com a venda subsidiada de gasolina e diesel, o grande desafio da Petrobras em 2013 é conter a abrupta queda na produção de petróleo a partir de 2009 nos campos antigos. A menor produção significa mais dificuldade para transformar os pesados investimentos da companhia em receitas, e o tamanho do tombo atingiu níveis alarmantes nos últimos três anos.


Em 2012, a Petrobras pode registrar a terceira queda da produção total em seus 59 anos de existência. A primeira aconteceu em 1990, durante o governo de Fernando Collor, e a segunda em 2004, quando a companhia produziu 3% menos que no ano anterior. Apesar de ter alcançado um aumento de 1,5% na produção em novembro, a estatal poderá ter encerrado 2012 e passar todo o ano de 2013 sem obter nenhuma grande alteração na produção de óleo e condensado pelo terceiro ano consecutivo. Até novembro, a produção de 2012 estava em 1,968 milhão de barris diários, 2,3% abaixo dos 2,021 milhões de barris diários que atingiu em 2011.


Para entender o declínio da produção da petrolífera brasileira, a Bradesco Corretora analisou a vazão de óleo de 8.878 poços de extração em terra e no mar registrados no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da ANP, ao longo de sete anos, entre agosto de 2006 e agosto de 2012. Em agosto de 2011 o país produziu 2,052 milhões de barris de óleo e condensado. Doze meses depois, a produção era de 2,006 milhões. Mas quando descontada a produção (500 mil barris) de novos poços que entraram em operação no período, o que se vê é que a taxa de declínio da produção foi de 40% entre um ano e outro. Em volumes, esse percentual significou redução de 679 mil barris por dia - mais de um quarto da produção nacional - da qual a Petrobras responde por 91,5%, seguida por Statoil (1,9%), BG (1,3%) e Sinochem (1,2%).


Os números mostram uma aceleração do declínio da produção maior do que a geologia pode explicar. A média histórica de queda registrada na indústria, sempre mencionada pela estatal, varia entre 7% e 10% da produção anual. Mas essa taxa se refere à chamada depleção natural dos campos, que é causada pela queda de pressão dos reservatórios ou das reservas em consequência da extração de fluidos.


Os dados do Bradesco Corretora compilados pelos analistas Auro Rozembaum, Bruno Varella e Marcos Dong com base no BDEP impressionam. Entre 2005 e 2010 o declínio da produção foi de 32%, percentual que subiu para 38% entre 2010 e 2011, chegando aos 40% entre 2011 e 2012. Não só o declínio é maior que a média, como estava acelerando. O tema preocupa enormemente a ANP.


O analista Rozembaum, da Bradesco, explica que para analisar as causas desse declínio os poços foram divididos em duas categorias: os terminados ou descontinuados (seja para manutenção ou por falta de equipamento) e os que foram continuados, além dos novos.


Se desconsiderada a produção de novos poços que foram substituindo os que estavam em declínio ou foram fechados, a queda na produção no espaço de um ano foi de 27%. Ou seja, se a Petrobras não tivesse colocado nenhum poço novo em operação, os 2,052 milhões de barris ao dia produzidos no Brasil em agosto de 2011 estariam em apenas 1,506 milhão de barris diários um ano depois, uma queda de 27%. Como foram adicionados 500 mil barris produzidos por 834 novos poços perfurados (alguns em campos antigos) no final a queda líquida foi de 2,2%.


O declínio pode ser visto de vários ângulos. A queda da produção dos poços antigos como percentual da produção saltou de 11% em 2006 para 27% em 2012. "É uma bicicleta que, enquanto estiver desse jeito, não adianta pedalar. Eles vão ficar pedalando e acrescentando produção nova, mas o ralo está muito grande. É preciso fechar esse ralo", resume Rozembaum, lembrando que a Petrobras já está corrigindo o problema com os investimentos do Programa de Aumento da Eficiência Operacional (Proef).


O analista destaca que a forte piora da produção da Petrobras nos últimos dois anos é explicada pela descoberta do pré-sal, em 2007, que mudou o resultado do jogo. "Naquela época a Petrobras não tinha nem equipamentos nem dinheiro e precisou refazer não apenas sua estratégia como também sua escala de produção. Naquela altura, resolver o problema do dinheiro foi fácil, mas demorou cinco anos para chegar ao número adequado de sondas capazes de perfurar em águas profundas", diz Rozenbaum.


Com o pré-sal, a Petrobras se deparou com uma "Escolha de Sofia", título do relatório do Bradesco emprestado do livro de William Clark Styronx em que uma mãe judia foi obrigada por um nazista a escolher qual dos dois filhos seria levado para a câmara de gás. No caso da estatal, a escolha impossível significou usar equipamentos disponíveis para manter os níveis de produção da época ou cumprir os compromissos de exploração do pré-sal para atender os prazos estipulados pela ANP para não perder áreas.


A decisão, conhecida, foi correta, diz Auro Rozembaum. Apesar de ter resultado na difícil situação atual, o analista do Bradesco vê uma série de boas notícias. A primeira delas é que a Petrobras já tem 40 sondas de perfuração à sua disposição, a segunda é que a queda da produção não se deveu ao esgotamento dos reservatórios - caso do México -, mas sim à falta de equipamentos que levou a uma manutenção inadequada dos ativos. "A terceira boa notícia é que a produção do pré-sal é uma surpresa positiva e ficou muito além das expectativas", diz.


Os poços do pré-sal estão produzindo uma média de 26 mil a 32 mil barris de petróleo por dia, muito além da expectativa inicial da Petrobras, que era de produzir 15 mil barris diários, na média.


Em dezembro, a presidente da Petrobras, Graça Foster, usou a palavra "manutenção" para descrever sua expectativa de performance da produção em 2013.


Essa também é a expectativa de bancos de investimentos, que só esperam uma reação em 2014. Para 2013, o Bradesco não vê aumento e o Credit Suisse espera uma média de 2,016 milhões de barris por dia, 0,25% menor que os 2,021 milhões de barris/dia registrados em 2011.


O Itaú BBA é mais pessimista: espera queda de 2% no ano passado e para 2013, a expectativa é que a produção seja de 1,985 milhão de barris diários devido ao grande numero de paradas e o esperado atraso na entrega de novas plataformas com capacidade total de processar 590 mil barris de petróleo. As novas unidades são a Cidade de São Paulo e Cidade de Paraty (nos campos de Sapinhoá e Lula Nordeste, no pré-sal da Bacia de Santos) e as plataformas P-61 e P-63 (Papa-Terra) e P-55 (Roncador).

 



Fonte: Valor Econômico
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