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Internacional

Conta de petróleo dos países ricos pode subir US$ 200 bi

01/03/2011 | 09h23
Enquanto a crise na Líbia mantém a cotação do petróleo em alta, os Estados Unidos, a Europa e o Japão podem ser forçados a gastar este ano US$ 200 bilhões a mais com importação de petróleo que em 2010, o que ameaçaria a recuperação de suas economias, afirma a Agência Internacional de Energia.
 

O economista-chefe da AIE, Fatih Birol, disse numa entrevista ao Wall Street Journal que, se a cotação média do petróleo se mantiver em US$ 100 este ano, os EUA terão de gastar US$ 385 bilhões importando a commodity - quase US$ 80 bilhões a mais que no ano passado. A União Europeia teria de gastar US$ 375 bilhões - US$ 76 bilhões a mais que no ano passado e até mais do que o pago em 2008, o último ano com grandes saltos no preço do petróleo.
 

Uma alta dessa magnitude nos custos americanos com importações seria "um problema sério para as empresas e para a confiança dos consumidores, da qual a economia americana precisa desesperadamente para melhorar a confiança geral", afirmou Birol. A UE também está em risco, acrescentou, porque "a Europa tem sido o elo mais fraco na corrente mundial da recuperação econômica".
 
 
O mercado de petróleo tem oscilado fortemente devido aos temores de que o caos na Líbia pode contaminar os países exportadores de petróleo no Golfo Pérsico e prejudicar a oferta mundial de petróleo. Os protestos recentes em Omã indicam que o país pode ser o próximo produtor depois da Líbia a enfrentar uma crise política.
 

Mas como a Arábia Saudita está se posicionando para cobrir a escassez causada pela Líbia, alguns analistas dizem que os mercados podem muito bem se acalmar.
 

A cotação do petróleo atingiu o maior nível em dois anos e meio, subindo quase 14% semana passada. O barril do Brent, referência da Europa, que passou de US$ 100 em janeiro, fechou a US$ 111,98 ontem, enquanto o barril de referência dos EUA fechou a US$ 96,97 o barril.
 

A alta do petróleo ocorre ao mesmo tempo em que a recuperação da economia mundial dá sinais de vigor, e economistas temem que a alta do custo dos combustíveis possa colocar em risco o crescimento econômico, piorando as condições para consumidores já em dificuldade.
 

O principal temor é de que o mundo possa assistir a uma reprise de 2008, quando o aumento na cotação do petróleo no meio do ano impulsionou o preço da gasolina nos EUA para US$ 4 o galão (R$ 1,75 por litro) e motivou um forte declínio no consumo das famílias.
 

James Hamilton, professor de economia da Universidade da Califórnia em San Diego, disse que uma alta de US$ 20 na cotação do barril aumenta o preço da gasolina em US$ 0,50 o galão e gera um custo extra de US$ 70 bilhões no decorrer do ano - com potencial de eliminar meio ponto porcentual do crescimento econômico dos EUA este ano. "Isso cria um rombo significativo no orçamento das pessoas", disse ele. "Mas no contexto de um PIB de US$ 15 trilhões, é administrável."
 

Nigel Gault, economista-chefe para os EUA da IHS Global Insight, calcula que uma alta de US$ 10 na cotação do barril reduziria o PIB americano e o consumo em 0,2% em relação ao nível normal e eliminaria 120 mil vagas de trabalho. Uma alta de US$ 15 na cotação do barril de Brent, se sustentada, eliminaria cerca de 0,3% do crescimento da economia em 2011, disse ele. Mas se o Brent chegar a US$ 130 o barril e a gasolina passar de US$ 4 o galão, "o dano para o crescimento começaria a passar de irritante para algo muito pior".
 

A produção da Líbia, o 13º maior exportador de petróleo do mundo, caiu pela metade desde o início da crise, para cerca de 1,6 milhão de barris, já que as petrolíferas internacionais tiveram de suspender suas operações e retirar do país centenas de empregados. Pode demorar meses para a oferta líbia voltar ao nível de antes da crise, dizem analistas.
 

O mundo pode lidar facilmente com qualquer escassez na oferta, teoricamente. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo tem capacidade ociosa suficiente e os países industrializados têm cerca de 1,6 bilhão de barris em estoques estratégicos.
 

As autoridades da Arábia Saudita, o maior produtor da Opep, dizem que o reino está produzindo agora 9 milhões de barris diários, uma alta de 500.000 a 600.000 barris diários.
 

Birol, da AIE, disse que a Arábia Saudita está fazendo um "excelente trabalho" e mostrando mais uma vez que "está preparada para assumir o papel de banqueiro central e disponibilizar petróleo durante uma emergência".
 
 
Mas uma grande preocupação do mercado é que a Líbia é uma importante produtora de petróleo leve e pouco sulfuroso, de alta qualidade e difícil de substituir rapidamente. O petróleo que a Arábia Saudita tem disponível, por outro lado, é de baixa qualidade e com alto teor de enxofre, portanto mais difícil de transformar em combustíveis para uso em transportes.
 

Analistas do Bank of America Merrill Lynch sugeriram ontem que, como a maior parte do petróleo dos estoques estratégicos da AIE tem um teor mediano de enxofre, "os barris de petróleo leve e pouco sulfuroso continuarão escassos".
 

Os analistas também disseram que a capacidade ociosa da Opep está substancialmente menor, o que significa que a capacidade do mercado de lidar com mais turbulência no Oriente Médio "continua limitada". O banco de investimentos prevê que a produção petrolífera da Líbia possa ficar "meses" paralisada.
 

"A interrupção no suprimento da Líbia pode ser o oitavo pior choque de oferta desde 1950, de acordo com nossas estimativas", afirma o relatório do Bank of America Merrill Lynch. "Mais preocupante ainda é que outros países da região como Argélia, Síria, Iêmen ou Arábia Saudita também apresentam altos níveis de insatisfação social, o que mantém elevado o risco de continuação das tensões.


Fonte: Valor Econômico
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