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Panorama

Consumo de energia por habitante sobe 22% em 5 anos

05/10/2010 | 10h17
A conta de energia de José Gomes da Silva Filho, entrevistador de pesquisas de mercado, está cada vez mais alta. Houve um aumento de 50% em relação ao que ele costumava pagar e não foi apenas alta de tarifa. Em setembro deste ano, seu consumo de energia foi de 253 kWh, enquanto em setembro de 2009 era de 172 kWh. O choque maior na conta veio recentemente, depois da compra da lavadora de roupas, que usa água quente. Desde o meio do ano, contudo, o gasto de energia da família - Silva Filho, a esposa e duas filhas pequenas - tem mudado.


Há quatro meses os moradores começaram a usar internet banda larga e isso fez com que o computador passasse a ficar sempre ligado. No meio do ano, compraram um home theater. "Fizemos uma economia e sentimos que as condições para a compra estavam boas", conta o chefe da família que tem um orçamento de cerca de R$ 3,5 mil mensais. A próxima aquisição - geladeira com freezer - deve aumentar mais um pouco o consumo de energia da família.


Assim como Silva Filho, o brasileiro tem consumido mais energia, um consumo associado ao aumento de renda e do número de eletrodomésticos nas casas. Comparado a 2004, período pós-racionamento e com a economia em forte recuperação, a alta do consumo foi de 22%, com evolução anual recorde em 2009, de 5,5% sobre 2008, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Na comparação com o período pré-racionamento, a alta é de 9%.


A principal razão para o uso de mais energia é o aumento da renda da população, que permitiu que a compra de eletrodomésticos e eletroeletrônicos crescesse significativamente nos últimos anos. De acordo com a última Pesquisa Mensal de Emprego (PME-IBGE), o o rendimento médio real das pessoas ocupadas em agosto estava 5,5% maior que no mesmo mês do ano passado. "A ascensão econômica de parte da população trouxe junto uma compra muito grande de equipamentos eletrônicos. Isso explica diretamente o aumento do consumo residencial de energia elétrica", diz o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.


Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o percentual de famílias que têm lavadora de roupas em casa subiu de 34,3% em 2004 para 44,3% em 2009, com alta de 2,8 pontos percentuais só em 2009. A geladeira, presente em 87,3% das casas em 2004, hoje está em 93,4% dos domicílios. A posse de computadores teve uma alta ainda mais expressiva, de 16,3% das casas em 2004 para 34,7% em 2009.


Segundo Tolmasquim, o consumo residencial de energia no país ainda deve crescer bastante. "Temos uma base da pirâmide social muito grande que ainda consome pouco. A tendência é que, mesmo que haja espaço para economia de energia, as pessoas da base consumam mais."


O brasileiro ainda consome pouco se comparado a outros países da região, como Argentina e Chile. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mantendo a tendência de aumento, o Brasil só vai alcançar os níveis atuais de consumo dos dois vizinhos em 2019. O crescimento do consumo por habitante é diretamente proporcional ao aumento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita.


O limite de alta do consumo por pessoa é alcançado quando a casa já possui todos os equipamentos básicos e a compra de mais produtos é realizada para substituição dos antigos, que em alguns casos consomem mais energia que os modelos novos. No Brasil, porém, o efeito do aumento da quantidade de itens que consomem energia elétrica nas casas é forte. "Acho que a gente vai passar alguns anos nessa transição, dado o passivo social do país", diz Tolmasquim.


O avanço do consumo residencial fez com que a participação do grupo no total do consumo de energia elétrica no país passasse de 22,3% em 2008 para 23,9% em 2009. No mesmo período, a parcela de consumo da indústria caiu de 46,1% para 43,7%, reflexo da crise, que afetou a atividade produtiva.


O consumo por residência, porém, não cresce tanto, porque ao mesmo tempo que aumenta a demanda, cresce o número de residências atendidas pelo sistema de distribuição de energia. Segundo esse dado, o consumo das casas só superará o pico pré-racionamento em 2019, com 183 kWh/mês. "O programa Luz Para Todos adicionou 12 milhões de pessoas à rede de energia, o que aumenta o número de residências, mas representa um consumo pequeno", diz Tolmasquim.


Fonte: Valor Econômico
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