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Oriente Médio

Conflito pode prolongar a suspensão do petróleo líbio

22/03/2011 | 10h02
A intervenção militar na Líbia ameaça prolongar a suspensão de operação nos campos mais produtivos de petróleo do norte da África, dizem analistas. Ela pode também gerar represálias do regime de Muamar Gadafi contra empresas de energia estrangeiras. A situação vem elevando o preço do barril de petróleo, apesar de a Opep dizer que a oferta mundial da commodity está estabilizada.
 

Ontem, o barril de petróleo do tipo Brent para maio fechou em Londres a US$ 114,67. O barril de West Texas para abril ficou em US$ 102,18, em Nova York.
 

"O maior risco para as empresas de petróleo são possíveis danos às instalações, o que tornaria mais difícil para que a produção voltasse logo ao normal assim que o conflito acabar", disse Alessandro Marrone, analista de defesa no Instituto de Assuntos Internacionais (IAI), em Roma. "Algumas instalações poderiam ser parte de danos colaterais de ataques, outras podem ser sabotadas em retaliação."
 

"As companhias petrolíferas ocidentais terão de torcer para Gadafi não destruir suas instalações", disse Johannes Benigni, diretor da consultoria JBC Energy, em Viena. A intervenção estrangeira significa "aumento da incerteza prolongada e, portanto, da volatilidade nos mercados de petróleo", disse ele.
 

A expectativa do mercado é de que a produção no país não se normalizará no curto prazo. "Nossa análise é de que vai haver muito pouco petróleo líbio exportados em 2011", disse Lawrence Eagles, chefe de pesquisa em commodities do JPMorgan em Nova York. "A evolução política pode mudar."
 

Mas membros da Opep, o cartel internacional de produtores de petróleo, dizem que a oferta mundial está coberta. Não há necessidade de convocar uma reunião extraordinária da Opep para resolver a situação, disse Abdullah Al-Attiyah, vice-ministro do Petróleo do Qatar. "O desaparecimento da produção líbia não afetou a oferta e a procura, porque vemos a compensação de outras fontes", incluindo a Arábia Saudita, Kuait, Emirados Árabes e outros, disse Attiyah.
 

"Os estoques estão muito altos, para mais de 60 dias", disse.
 

A produção de petróleo da Líbia caiu para menos de 400 mil barris por dia, cerca de um quarto da produção de antes da crise. E pode parar, disse Shokri Ghanem, presidente da Líbia National Oil, o monopólio estatal.
 

Gadafi ameaçou substituir as empresas petrolíferas ocidentais por empresas da Índia e da China.


Fonte: Valor Econômico
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