Biocombustíveis

Conferência vai esclarecer críticas sobre etanol, diz embaixador

A Conferência Internacional sobre Biocombustíveis irá esclarecer os últimos pontos de dúvida e de crítica em relação à produção de etanol e projetar a importância do biocombustível para a qualidade de vida do mundo. A avalição é do subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do

Agência Brasil
04/11/2008 10:05
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A Conferência Internacional sobre Biocombustíveis irá esclarecer os últimos pontos de dúvida e de crítica em relação à produção de etanol e projetar a importância do biocombustível para a qualidade de vida do mundo. A avalição é do subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, embaixador André Amado.

 

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (3), em Brasília, sobre o encontro, que será aberto no dia 17 de novembro em São Paulo, o embaixador garantiu que as duas principais críticas ao etanol brasileiro já estão esclarecidas.

 

Segundo ele, a primeira delas, de que o biocombustível, poderia ameaçar a produção de alimentos, é respondida com o fato de que apenas 1% das áreas agricultáveis no Brasil são utilizadas para o plantio de cana, sendo que só metade disso é direcionada para o etanol. “Se nós quiséssemos multiplicar por dez a produção do etanol, ainda assim teríamos muito terreno subutilizado no Brasil e, portanto, não estaríamos de forma alguma comprometendo áreas hoje reservadas à produção de alimentos”, explicou.

 

Amado também rebateu o questionamento internacional de que o etanol poderia causar a destruição da Amazônia, dizendo que a região não é própria para o plantio de cana. Nas palavras dele, a cana-de açúcar é um tubo, com sacarose e água, de onde se quer que a água evapore. “Na Amazônia chove, então dificilmente vamos poder plantar cana-de-açúcar na Amazônia. Não fosse por qualquer outro motivo da consciência ambiental brasileira, por exclusão, a Amazônia já estaria fora das considerações”, defendeu.

 

Além disso, o embaixador citou o zoneamento da cana no Brasil, que, segundo ele, pode ser lançado até início da Conferência, e deve excluir tanto o Pantanal, quanto a Amazônia das áreas permitidas para o plantio destinado à produção de açúcar e álcool.  "A Conferência Internacional irá esclarecer os últimos pontos de dúvida e de crítica em relação à produção de etanol e “irá projetar a importância do etanol para a qualidade de vida do mundo”.

 

Para Amado, a principal contribuição do Brasil na Conferência, será a experiência do país na produção de etanol a partir da de cana-de-açúcar. “Eu acho que a nossa experiência é um grande cala-a-boca e uma grande inspiração aos outros países”, afirmou o embaixador.

 

Ele lembrou que o Brasil investe na produção de etanol apartir da cana desde os anos 70, quando ocorreram os dois choques no preço do petróleo. De acordo com ele, ao longo desse período, o país acumulou conhecimento e tecnologia, que devem ser compartilhados com outros países, principalmente os em desenvolvimento.

 

“Nós [Brasil], temos condições e queremos compartir o que sabemos com países em desenvolvimento, como teríamos gostado que nos tivesse acontecido lá atrás, quando nós mesmos precisamos que países desenvolvidos compartissem conosco avanços que eles já tinham alcançado e não puderam nos repassar”, disse.

 

Amado também defendeu o etanol brasileiro como “campeão” em termos de produtividade, eficiência energética, limpeza da matriz energética e inclusão social. “Hoje [o etanol] nos permite dizer que temos 46% da nossa matriz energética limpa, em comparação com 8% dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] e isso deverá aumentar porque estamos ainda falando de desenvolvimentos conseqüentes de etanol de segunda geração, de hidrelétrica e de energia nuclear”, apostou o embaixador.

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