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Internacional

Com ajuda do petróleo, commodities tomam conta das exportações aos EUA

22/02/2011 | 10h11

A pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos, que até recentemente era comandada pelos produtos manufaturados, já tem no petróleo mais de um quinto do total das vendas àquele país, segundo as estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Com outros derivados do petróleo, como o benzeno, os hidrocarbonetos já se aproximam de um quarto de tudo que o Brasil vende aos americanos. O déficit comercial com os EUA praticamente dobrou em janeiro, comparado com o mesmo mês de 2010, mas, curiosamente, alguns dos principais produtos exportados tiveram aumento de mais de 120% nas vendas.

Para os especialistas, não há dúvida que a perda de competitividade, provocada pelos altos custos de produção e pela valorização do real em relação ao dólar são os responsáveis pelo que já chamam de "commoditização" da pauta de exportações aos EUA - uma tendência que a presidente Dilma Rousseff quer mudar e pretende que seja um dos pontos da agenda de conversas com o presidente dos EUA, Barack Obama, em sua visita ao Brasil, em março.

"A questão do câmbio e o custo Brasil provocam uma perda de competitividade estrutural da economia brasileira, a pauta fica cada vez mais concentrada", lamenta o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, Gabriel Rico. De fato, em 2010, os seis primeiros itens da pauta, todos commodities, como petróleo, café em grão e pasta química de madeira, representavam um terço do total das exportações aos EUA. A venda de aviões médios e grandes da Embraer caiu, em valor, 66%, indo do terceiro lugar na pauta para o 14º.

A Embraer, desde meados da década, foi desbancada pela Petrobras como a principal empresa exportadora para os EUA. Segundo a empresa, a queda nas vendas corresponde a uma redução nas compras americanas de aviões durante a crise, que não se refletiu em outros mercados da empresa.

Em 2010, as encomendas da Embraer saltaram para 96 aviões comerciais, bem acima dos 23 de 2009. Há sinais de que neste ano elas vão se estabilizar. No lado das commodities, o item petróleo e derivados tornou-se o principal produto, não só na exportação como nas importações feitas pelo Brasil.

O crescimento de 140% a 320% nas compras de óleo diesel, hulha e outros derivados é a principal causa do aumento de quase 35% das importações brasileiras originadas nos EUA, que elevaram o déficit comercial com aquele país de US$ 4,4 bilhões em 2009 para quase US$ 7,8 bilhões em 2010. O crescimento do mercado brasileiro e o esgotamento da capacidade das refinarias existentes estão por trás do aumento das importações de derivados de petróleo.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, não quis prever qual será a tendência das importações, que, segundo faz questão de informar, não se limitam às compras da estatal. A manutenção de uma refinaria da Petrobras no Texas permite acreditar que, com a recuperação da economia americana, seguirão firmes as exportações de petróleo aos EUA. Costa lembra, porém, que a China, segunda maior importadora de petróleo brasileiro, deve aumentar sua fatia, de 120 mil barris diários para 200 mil, devido aos acordos que, em troca de um empréstimo de US$ 10 bilhões, dão preferência aos chineses na compra do óleo da estatal. Os EUA importaram, em 2010, 300 mil barris diários.

Num sinal de que os problemas para as exportações brasileiras aos EUA estão mais no próprio Brasil que em eventuais barreiras americanas, os produtos brasileiros mais competitivos tiveram aumentos expressivos em 2010, como é o caso dos semimanufaturados em ferro e aço, que registraram aumento nas exportações de 163% no ano passado. As vendas de máquinas classificadas como "outros niveladores", 20º item na pauta exportadora, cresceram 123%. Dos cem principais produtos de exportação, menos de 25 tiveram queda nas vendas no ano passado, e apenas oito tiveram queda superior a 20%.

Além dos aviões, um produto com redução significativa de exportações foram as conservas de carnes, devido à suspensão das compras, desde maio, após a verificação de excesso de vermífugo no produto de um grande frigorífico. Embora, em 2010, 30 dos cem principais produtos de exportação brasileiros aos EUA tenham aumentado suas vendas em mais de 60% (22 desses produtos tiveram aumento superior a 100%), o Brasil perdeu fatia entre os fornecedores do mercado americano, segundo estudo da Fundação Estudos de Comércio Exterior (Funcex), concluído na semana passada.

Desde 2005, o Brasil vem declinando suas vendas aos EUA, a um ritmo maior que a contração do mercado americano, num processo que chegou ao auge em 2009, quando as exportações brasileiras aos EUA caíram 43%, bem acima da queda de 25% no total das importações daquele país. O Brasil só não teve perda maior de espaço nos EUA porque as altas nas cotações de petróleo e de etanol compensaram as quedas em outros itens, nota a Funcex.

A grande abertura da economia dos EUA à concorrência internacional faz com que "problemas de competitividade da produção industrial brasileira sejam sentidos de forma mais rápida e mais intensa do que nos demais países", conclui a Funcex.



Fonte: Valor Econômico
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