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Petroquímica

Braskem vai elevar produção em Paulínia

15/03/2011 | 09h27
Encravado no polo industrial de Paulínia, a 130 quilômetros de São Paulo, em uma área antes ocupada por laranjais devastados, o complexo petroquímico da Braskem, o PP 3, recebeu investimentos milionários para tornar-se um dos maiores redutos de produção de polipropileno (PP) do Brasil e um dos principais da América Latina.
 
 
Dois anos após a sua inauguração, esse projeto será reavaliado. O PP 3, que consumiu US$ 350 milhões para ser erguido do zero, com capacidade de produção de 300 mil toneladas de polipropileno por ano, deverá receber mais aporte. Desta vez serão injetados mais US$ 50 milhões para elevar produção dessa unidade em mais 100 mil toneladas para dar conta da boa demanda nos mercados interno e externo.
 

"Esses investimentos serão submetidos à aprovação do conselho de administração da Braskem ainda neste semestre", afirma Eduardo Carnaúba, gerente-geral da unidade de Paulínia. Esse complexo foi concebido para operar integrado com a refinaria da Petrobras, a Refinaria do Planalto Paulista (Replan), localizada apenas a poucos metros dali, e foi montado com os chamados equipamentos "estado da arte". Àquela época, esperava-se que essa unidade, como foi originalmente projetada, atingisse plena capacidade de operação em até três ou quatro anos.
 

Para não criar um gargalo, a petroquímica receberá este ano investimentos marginais, para ajustes de equipamentos, o que permite elevar a produção em mais 50 mil toneladas/ano, segundo Carnaúba. Com a aprovação do conselho dos aportes de US$ 50 milhões, a expansão da capacidade deverá ser implementada a partir de 2012, totalizando uma produção de até 450 mil toneladas anuais de PP. Atualmente, cerca de 30% da produção dessa unidade é exportada. "Não estamos restritos à América do Sul. Negociamos para os países da Ásia e África [no mercado "spot"]", diz Carnaúba.
 

Dos laranjais abandonados, quase nada restou. A área verde apenas margeia a parte externa da petroquímica, que nem de longe lembra o cenário bucólico que um dia foi. O verde cedeu espaço para extensas tubulações e blocos de concreto. Invisíveis, dutos ligando a refinaria à petroquímica transportam, ininterruptamente, o propeno (em forma de gás liquefeito) - principal matéria-prima para o PP - da Replan até a fábrica da Braskem. Carnaúba explica que 80% do propeno consumido é transportado via tubulações da refinaria da estatal e outros 20% são abastecidos pela Refinaria Henrique Lages (Revap), de São José dos Campos, também da Petrobras, chegando ao complexo transportados por carretas.
 

Em escala industrial e como um relógio com bateria permanente, que nunca pode parar, esse propeno passa por um processo de purificação até se tornar "superpuro", como é chamado pelo setor.
 

Após esse processo, segue para reatores de polimerização para ser convertido em polipropileno - isso ocorre com a reação com hidrogênio e um catalisador à base de magnésio. o executivo da Braskem explica que nessa fase a matéria-prima é convertida de estado liquefeito para o sólido. Todo esse processo dura apenas algumas horas.
 

Acondicionado em pellets, o produto já está pronto para ser distribuído para as indústrias da chamada terceira geração como matéria-prima para plásticos diversos, desde copinhos descartáveis até baldes, embalagens de salgadinhos e cigarros, além de revestimentos de automóveis, para citar apenas alguns exemplos. Antes, contudo, o laboratório do PP3, instalado na mesma área, testa a qualidade do produto a ser entregue aos clientes.
 

A petroquímica PP 3 trabalha em silêncio. São cerca de 100 trabalhadores diretos e outros 200 terceirizados. A circulação pelas instalações dessa unidade é feita sob mil recomendações e não dispensa capacetes, luvas e outros equipamentos de segurança. O "centro nervoso" limita-se a uma sala de controle ocupada por apenas cinco funcionários, responsáveis pelo monitoramento dos equipamentos, que não emitem um som sequer. E nem poderiam. Ruído nesse caso, seria problema.
 

"Esse polo começou a ser pensado no fim dos anos 90, ainda na época da OPP, quando a Braskem ainda não tinha sido constituída", diz Carnaúba.
 

Esse projeto petroquímico chegou a ser alvo de disputa entre a Suzano e Braskem, que acabou saindo na frente por decisão da Petrobras. As obras tiveram início em 2006 e o complexo foi inaugurado em maio de 2008. Durante cerca de um ano, entre maio de 2008 e fim do primeiro semestre de 2009, a fábrica operou abaixo de sua capacidade, uma vez que houve atrasos no fornecimento de propeno da Replan. "Nos meses seguintes [que incluíram o período da crise financeira global até o fim do ano passado], a unidade operou a plena carga", afirma Carnaúba.
 

A produção de polipropileno do grupo totaliza cerca de 2 milhões de toneladas por ano, dos quais metade sai das unidades da Braskem e a outra parte pelas fábricas da Quattor, incorporada no ano passado pela petroquímica. Ao todo são seis unidades de polipropileno do grupo, três delas no Rio Grande do Sul, a de Paulínia, uma em Mauá, Rio de Janeiro e Bahia. A Braskem conta com 31 unidades produtoras, das quais 28 no Brasil e três nos Estados Unidos.
 

A expectativa é de que a demanda continue firme em 2011 no mercado interno, com crescimento acima de dois dígitos. Já no exterior, os EUA experimentam uma lenta recuperação, enquanto na União Europeia o processo está ainda mais lento. Em 2010, o mercado petroquímico cresceu cerca de 15%, considerando o ano base fraco de 2009. Para este ano, a expansão deverá ser entre 10% e 15% no país.


Fonte: Valor Econômico
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