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Licitações

Brasil não atrai gigantes do petróleo

16/11/2005 | 00h00

País ocupa o último lugar na lista dos preferidos pelos grandes investidores. Agora, é o paraíso dos petroleiras independentes

Em dezembro de 2004, na Nigéria, manifestantes tomaram três plataformas de petróleo operadas pela anglo-holandesa Shell, suspendendo a produção de 90 mil barris de petróleo por dia. O incidente ocorreu apenas três meses depois que uma milícia local ameaçou explodir plataformas, em uma disputa por mais empregos na indústria petrolífera. A ameaça não se cumpriu e as invasões foram pacíficas, mas os acontecimentos ilustram o risco vivido pelas petroleiras que apostam no País.

A situação não é menos tensa em outras regiões produtoras: atentados no Oriente Médio e furacões no Golfo do México assustam operadores e levam as cotações do petróleo às alturas. Mesmo assim, o Brasil, considerado um dos países menos arriscados para investimentos em petróleo, está longe das prioridades das principais companhias do setor. Nos últimos anos, é grande a participação de empresas de médio porte ou petroleiras independentes nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas as quatro maiores - as americanas Chevron e Esso, a britânica BP e a francesa Total - não oferecem lances desde 2001.

No início da semana, o presidente brasileiro da americana Devon, Murilo Marroquim, levantou a hipótese de o Brasil estar se tornando o paraíso das independentes. São empresas de menor porte, com atuação apenas na área de exploração e produção - sem refino ou postos - que aceitam maior risco exploratório em áreas ainda não inflacionadas pelas grandes. De fato, algumas das empresas estrangeiras mais assíduas em leilões da ANP têm esse perfil: além da Devon, que participou de quatro leilões, Amerada Hess e Kerr McGee deram lances em cinco rodadas de licitações.

O presidente da francesa Total no Brasil, Cândido Cardoso, dá uma pista sobre o desinteresse das majors: "Somos a quarta companhia do mundo e procuramos projetos do porte da nossa empresa."

A companhia tem foco em oportunidades na África e no Oriente Médio, onde a possibilidade de descobertas gigantes é maior.

"Não dá para dizer que as grandes não virão ao País, mas até o momento estamos encontrando melhores oportunidades em outras regiões", aponta o diretor de relações institucionais da BP, Paulo Pinho. A empresa britânica devolveu este ano a última concessão que tinha no País. A Total tem uma concessão, mas ainda não definiu o futuro do projeto.

Segundo pesquisa anual promovida pela consultoria britânica Fugro Robertson, o Brasil está em 10.º lugar (o último) na preferência do investidor estrangeiro de petróleo. Em 1999, no primeiro leilão da ANP, era o líder do ranking. Desde então, perdeu posições para países africanos, Austrália e Inglaterra. Este ano, a Líbia, que reabriu recentemente seu território para investimento estrangeiro, é a queridinha do setor.

A Nigéria, mesmo com os conflitos étnicos, realizou em agosto uma licitação que arrecadou valores estratosféricos. Para se ter uma idéia, a Petrobrás, em parceria com a norueguesa Statoil, pagou US$ 180 milhões por um bloco em águas profundas. No Brasil, o maior lance do leilão deste ano chegou a US$ 70 milhões. Lá, os maiores produtores são as gigantes mundiais: a Esso produz 600 mil barris por dia; a Chevron, 500 mil.

Aqui, as duas companhias têm exposição pequena. A Chevron está no 7.º lugar entre as estrangeiras com maior área exploratória, com cerca de 2,9 mil quilômetros quadrados em concessões. A Esso ocupa a 14.ª posição, com pouco menos de mil quilômetros quadrados. Os blocos são remanescentes de participações nos primeiros leilões da ANP. A Chevron só disputou áreas nas duas primeiras rodadas e a Esso, na primeira e na terceira.

Mas por que essa falta de apetite em um país considerado pelas consultorias internacionais o 8.º menos arriscado para o setor petrolífero, com reservas a descobrir estimadas em 50 bilhões de barris de petróleo?

O vice-presidente de exploração internacional da Devon, Rick Bott, deu uma pista: "As principais descobertas foram feitas pela Petrobrás ainda em tempos de monopólio. Depois disso, não foram encontrados grandes campos." De fato, Marlim, com quase 3 bilhões de barris, Marlim Sul e Roncador, na casa dos 2,5 bilhões de barris, foram descobertos entre 1985 e 1997. Depois disso, o maior campo encontrado foi Jubarte, com menos de 1 bilhão de barris.

Especialistas no setor apontam que a falta de competição com as grandes incentiva as independentes a apostarem no País, até porque os lances em leilões ficam mais baratos. Além disso, o Brasil atrai companhias que já têm operações na América do Sul e pretendem integrar os negócios ou diluir os riscos no continente.

A espanhola Repsol, maior petroleira na Argentina, é uma delas. A empresa é assídua nos leilões da ANP e tem a segunda maior área exploratória entre as estrangeiras. A britânica BG, controladora das distribuidoras de gás de São Paulo e Buenos Aires, é outra. Com reservas de gás na Bolívia, a companhia pode fechar um anel de gás no Cone Sul se tiver descobertas no Brasil.

Dentre as maiores, apenas a Shell tem apostado forte no País: tem mais de 8 mil quilômetros quadrados em áreas exploratórias e é figura fácil em leilões da ANP - só não participou de um. A empresa já produz petróleo por aqui, em parceria com a Petrobrás, o que facilita na disputa pelos recursos da matriz. Além disso, com a reavaliação para baixo de suas reservas, determinada após um escândalo contábil, a companhia corre contra o tempo para retornar à elite mundial do petróleo.



Fonte: O Estado de São Pau
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