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Cooperação

Brasil e Rússia devem pôr em prática acordo nuclear

18/11/2008 | 03h09

Brasil e Rússia começarão a pôr em prática o acordo bilateral de cooperação em usos pacíficos de energia nuclear na visita do presidente russo, Dmitri Medvedev ao Rio, na próxima semana. As discussões para a estratégia de cooperação estão “bem avançadas”, seguindo o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, que termina hoje uma longa visita à Europa. A cooperação inclui o aperfeiçoamento tecnológico da prospecção e enriquecimento de urânio, a construção de reatores atômicos de quarta geração, pesquisas multiuso da energia nuclear para fins pacíficos e formação de técnicos e cientistas.

 

A cooperação em energia nuclear e em tecnologia espacial também é negociada com a França, com quem, segundo o ministro, os projetos estão ainda mais avançados. Um dos aspectos dos projetos de negociação, de acordo com Mangabeira, é o esforço brasileiro para alcançar independência nesses campos, e lançar produtos em associação com esses países. Ele admitiu que, enquanto os franceses já assumiram o projeto, os russos ainda tendem a enfatizar o aspecto comercial embutido nos programas de cooperação.

 

“Não estamos interessados em comprar nada”, insiste Mangabeira, repetindo o que tem dito nas reuniões com autoridades. Na França, o presidente Nicolas Sarkozy, que também visitará o Brasil neste ano, instruiu os ministros, que receberam os emissários do governo brasileiro das propostas e projetos em discussão. Na Rússia, a situação foi um pouco diferente, relata o ministro. “O centro do poder russo, o presidente e o primeiro-ministro têm esse interesse, mas ainda não transmitiram de forma abrangente e clara aos ministros e o segundo escalão ainda acha que vai nos vender coisas.”

 

Ontem, em Brasília, o segundo escalão russo esteve reunidos com autoridades brasileiras e empresários, para discutir o projeto de cooperação e também as questões comerciais, como o interesse dos exportadores de carne brasileiros, frustrados pela dificuldade em convencer os russo a ampliar as cotas atualmente impostas sobre as vendas àquele mercado. “É uma questão de sobrevivência para nós”, argumenta o presidente da Abipecs, dos exportadores de carne suína, Pedro Camargo Neto. “Se não conseguirmos cotas exclusivas como os Estados Unidos e Europa, vamos ser prejudicados, porque a Rússia está se tornando protecionista.” Ele afirma que, apesar do aumento nas vendas em outubro, as exportações de carne suína á Rússia foram reduzidas à metade nos últimos 12 meses.

 

Medvedev e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem discutir um plano de cooperação em matéria de defesa que, segundo Mangabeira não se baseará em negociações de venda de armamentos, como se chegou a publicar em jornais da própria Rússia. O Brasil está mais interessado em tecnologias próprias para o projeto de reforma das Forças Armadas, que prevê menores contingentes com grande capacidade de deslocamento e intervenção, diz Mangabeira.

 

Um dos principais pontos desse projeto é a redução da dependência em relação ao sistema GPS, de sensoriamento remoto. O país quer usar o GPS em combinação com o russo Glonass e o europeu Galileo, defende o ministro. O ministro nega, porém, que o Brasil vá aderir a alguma suposta estratégia da Rússia, de aumentar a influência na América Latina como resposta à maior presença americana no Mar Negro.

 

“Não estamos interessados em comprar coisas nem em uma política bismarkiana de contrabalançar o poder dos EUA”, disse. “Temos ótimas relações com os Estados Unidos, que, agora deverão ficar melhores.”



Fonte: Valor Econômico
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