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Cooperação

Brasil e EUA aprofundam parceria na área de energia

21/03/2011 | 09h42
Em visita pautada por interesses econômicos e comerciais e por elogios ao Brasil como "ator global", o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, firmou no sábado, com a presidente Dilma Rousseff, um "Diálogo Estratégico em Energia". A iniciativa abre caminho para cooperação na exploração de energia alternativa e do petróleo obtido em grandes profundidades. Segundo a Casa Branca, Dilma recebeu com satisfação o anúncio de Obama de que enviará em maio ao Rio uma missão comercial para negócios na área de gás e petróleo.


"Queremos trabalhar junto com vocês, ajudar com tecnologias e apoio para desenvolver essas reservas de petróleo de forma segura", explicou Obama, ao comentar o "diálogo estratégico" para um grupo de empresários reunidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Câmara Americana de Comércio, em Brasília, no sábado. "Quando vocês estiverem prontos para vender, nós queremos ser um dos maiores clientes."


O "diálogo estratégico" foi elevado ao "nível presidencial", segundo o comunicado dos dois presidentes, que também alçaram ao mesmo nível os diálogos de parceria global e o econômico-financeiro. Os ministros dessas áreas foram instruídos a convocar reuniões para discutir os temas e "mantê-los informados regularmente".


O interesse de Obama em pôr seu governo no terreno até agora trilhado sobretudo por agentes privados surpreendeu até o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Ao Valor, ele admitiu ver com certo "ceticismo" a atuação do governo americano nos negócios de petróleo. Pouco antes do pronunciamento de Obama aos empresários, Gabrielli disse, no seminário, não ter "com quem falar" no governo sobre compra e venda de petróleo, conduzidas por empresas privadas. "Os EUA são um país capitalista, não tem estrutura institucional para isso".


"Se o governo desenvolver uma estratégia para valorizar mais ainda essa relação, provavelmente ela aumentará", concedeu Gabrielli, lembrando que o Brasil já é o oitavo maior fornecedor de petróleo aos EUA e os americanos, os maiores importadores desse produto do Brasil, numa "relação puramente de mercado". O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, também surpreendeu, pelo pouco entusiasmo, participantes do Fórum de Altos Executivos Brasil-EUA, no Itamaraty. Ao ouvir de um empresário referências a apoio dos EUA à Petrobras para explorar o pré-sal, respondeu que a companhia já tem capacidade suficiente.


Segundo a Casa Branca, Dilma e Obama discutiram "intensificada troca de boas práticas" na exploração de petróleo e gás na plataforma marítima e, na próxima semana, representantes do Departamento do Interior americano terão encontro com autoridades brasileiras para "avançar o diálogo" sobre exploração segura de petróleo. Está prevista uma reunião de trabalho entre os dois países, no Rio, em outubro, para discutir exploração de petróleo em águas profundas e controle ambiental.


Obama falou sobre o assunto com Dilma, que, segundo a Casa Branca, concordou em dar "passos concretos" para aumentar a cooperação nesse campo. Obama comentou o papel crescente do Brasil no mercado de petróleo e ressaltou o interesse na "parceira estratégica" entre os dois países e em participar, "como for apropriado", no desenvolvimento desses recursos, de modo "ambientalmente responsável e avançado tecnologicamente". Falou da missão comercial em maio, no Rio, aproveitando a conferência "Latin Oil Week".


Um dos raros instrumentos governamentais americanos para atuar na área é o apoio financeiro aos exportadores de equipamentos dos EUA, por meio do Eximbank, seu banco de apoio ao comércio exterior. Gabrielli se queixou de que a linha oferecida pelo Eximbank, em 2010, enfrenta dificuldades de liberação, pela excessiva burocracia do banco; e que não há financiamento para a instalação de empresas americanas no Brasil. Apenas uma parte dos US$ 2 bilhões oferecidos despertou interesse de parceiros privados da estatal. "A China nos liberou US$ 10 bilhões; o BNDES, US$ 25 bilhões."


Ele disse que, ao contrário do que se disseminou, não houve contrato de compra antecipada de pré-sal pela China. Há o empréstimo, em que a Petrobras se obriga a manter em depósito, nos bancos chineses, o equivalente aos juros, que serão abatidos à medida que a estatal vender óleo aos chineses. A Petrobras se compromete a oferecer 200 mil barris/dia, mas os chineses só comprarão se houver interesse e o preço for satisfatório. Não é o tipo de negócio a ser replicado com os EUA, onde o governo não compra petróleo, disse Gabrielli. Ele lembrou que o governo pode, porém, estimular a preferência por determinados fornecedores. Segundo um graduado diplomata brasileiro, o governo Dilma já notou que os compromissos relativos ao pré-sal causam alvoroço entre parceiros do Brasil, e quer evitar a impressão de que "loteia" antecipadamente os recursos conforme o poder econômico dos aliados.


Fonte: Valor Econômico
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