The Wall Street Journal

Boom do gás começa a mudar interior pobre de Moçambique

Em 2010, a Anadarko descobriu uma das maiores reservas inexploradas.

Valor Econômico
16/04/2014 10:56
Visualizações: 235

 

Quando Enrique Nieto chegou ao calor escaldante deste pequeno vilarejo africano há oito meses, havia uma única torneira comunitária para o abastecimento de água e nenhuma estrada pavimentada. Agora, o empresário espanhol está prestes a abrir o primeiro hotel no local. O motivo: gás natural.
Em 2010, a companhia americana de petróleo Anadarko Petroleum descobriu uma das maiores reservas inexploradas de gás do mundo ao longo da costa da pequena cidade. O que a área não tinha eram hotéis - ou qualquer infraestrutura. Em sua primeira visita, Nieto ficou hospedado numa casa cujo vaso sanitário era um buraco no chão.
Agora, a previsão é que 10.000 trabalhadores e executivos em breve estejam se mudando para Palma, futura capital do gás do país, que atualmente tem uma população de alguns milhares de habitantes. Muitos dos que estão chegando vão trabalhar para empresas que prestam serviços para as companhias de petróleo e ficarão alojados em acampamentos improvisados. Outros precisarão de um lugar para ficar.
É aí que entra a empresa para a qual Nieto trabalha, a Nexar Group. A construtora espanhola, que investiu cerca de US$ 1 milhão no novo hotel, batizado de Karibu Residence 1, está apostando que pode cobrar centenas de dólares a diária para aqueles que querem ar condicionado, acesso à internet sem fio e outras amenidades da classe executiva num remoto vilarejo africano.
A Nexar não é a única que está fazendo essa aposta.
A African Century, uma empresa de investimentos que tem entre seus fundadores o ex-diretor-presidente do Morgan Stanley International, Jonathan Chenevix-Trench, está investindo US$ 2 milhões em Palma para construir um parque industrial, um hotel e um apart-hotel. Na cidade vizinha de Pemba, o grupo imobiliário Pembaland planeja gastar US$ 6 milhões para construir apartamentos. E a rede Carlson Rezidor Hotel Group, com sede nos Estados Unidos e na Bélgica, estuda a adição de mais hotéis em Pemba. Seu parceiro local, a Rani Resorts, opera atualmente um dos hotéis mais caros da cidade, com diárias de US$ 300.
Os investimentos no interior de Moçambique ilustram a corrida atual na África para construir uma indústria hoteleira, à medida que mais empresários chegam procurando hospedagem similar ao que encontram na Ásia ou na Europa. O número de quartos de hotel na África Subsaariana deve aumentar em cerca de 28% em 2014 ante o ano passado, segundo a consultoria nigeriana W Hospitality Group.
Grandes participantes do mercado, incluindo o Marriott International Inc., o Starwood Hotels & Resorts Worldwide Inc. e o Hilton Worldwide Inc., têm planos para se expandir na África. O Marriott comprou no início deste ano a Protea Hospitality Holdings Ltd., da África do Sul, uma das maiores empresas hoteleiras do continente, por mais de US$ 200 milhões.
Embora as grandes empresas não estejam se instalando em lugares remotos como Palma, aqueles que estão fazendo essa aposta dizem que há grandes vantagens em ser um dos primeiros a chegar lá. A Nexar prevê que irá recuperar seu investimento em menos de quatro anos. Brian O'Donohue, do Pembaland, diz que as empresas imobiliárias que estão construindo agora podem obter retornos anuais na faixa de 15% a 20%.
Os riscos, no entanto, são altos. Em dezembro, a empresa brasileira de infraestrutura Zagope Construções e Engenharia S.A. concluiu a primeira estrada asfaltada de Palma, ligando a vila a Pemba, a cidade grande mais próxima, a cerca de 360 quilômetros. Mas o país ainda precisa investir em muita infraestrutura para que o setor de gás possa começar a produzir. Sem ela, o boom energético pode fracassar e aniquilar a demanda por quartos de hotel.
Além disso, as construtoras dizem que os custos em mercados remotos como Palma são muito mais altos que em regiões desenvolvidas. A empresa "vai precisar de geradores, estações de água e saneamento próprios. Vai realmente precisar fazer tudo sozinha", diz O'Donohue.
Para construir o hotel em Palma, a Nexar Group teve que importar quase tudo para a pacata vila de pescadores. As mercadorias levaram dois meses para chegar de navio e depois seguiram por mais 800 quilômetros por terra.
As cidades de Moçambique que vivem o boom do gás não são as únicas. O mercado imobiliário de outras regiões remotas que passaram pela mesma transformação, como Aberdeen, na Escócia, e Fort McMurray, no Canadá, também estão recebendo um grande impulso do afluxo de trabalhadores. Na África, algumas das cidades mais caras são aquelas que atravessam um boom na produção de petróleo e gás, como Luanda, em Angola e Lagos, na Nigéria.
A Nexar espera que Palma seja a próxima. A empresa busca obter um contrato de longo prazo para o hotel com uma das grandes empresas petrolíferas.
Sinais da nova atividade econômica também começam a aparecer em outros lugares. Yusufoo Musa, um soldador de 30 anos, diz que os novos prédios têm dado impulso aos seus negócios. "O gás será a fonte de mudança de Palma", diz Musa.

Quando Enrique Nieto chegou ao calor escaldante deste pequeno vilarejo africano há oito meses, havia uma única torneira comunitária para o abastecimento de água e nenhuma estrada pavimentada. Agora, o empresário espanhol está prestes a abrir o primeiro hotel no local. O motivo: gás natural.

Em 2010, a companhia americana de petróleo Anadarko Petroleum descobriu uma das maiores reservas inexploradas de gás do mundo ao longo da costa da pequena cidade. O que a área não tinha eram hotéis - ou qualquer infraestrutura. Em sua primeira visita, Nieto ficou hospedado numa casa cujo vaso sanitário era um buraco no chão.

Agora, a previsão é que 10.000 trabalhadores e executivos em breve estejam se mudando para Palma, futura capital do gás do país, que atualmente tem uma população de alguns milhares de habitantes. Muitos dos que estão chegando vão trabalhar para empresas que prestam serviços para as companhias de petróleo e ficarão alojados em acampamentos improvisados. Outros precisarão de um lugar para ficar.

É aí que entra a empresa para a qual Nieto trabalha, a Nexar Group. A construtora espanhola, que investiu cerca de US$ 1 milhão no novo hotel, batizado de Karibu Residence 1, está apostando que pode cobrar centenas de dólares a diária para aqueles que querem ar condicionado, acesso à internet sem fio e outras amenidades da classe executiva num remoto vilarejo africano.

A Nexar não é a única que está fazendo essa aposta.

A African Century, uma empresa de investimentos que tem entre seus fundadores o ex-diretor-presidente do Morgan Stanley International, Jonathan Chenevix-Trench, está investindo US$ 2 milhões em Palma para construir um parque industrial, um hotel e um apart-hotel. Na cidade vizinha de Pemba, o grupo imobiliário Pembaland planeja gastar US$ 6 milhões para construir apartamentos. E a rede Carlson Rezidor Hotel Group, com sede nos Estados Unidos e na Bélgica, estuda a adição de mais hotéis em Pemba. Seu parceiro local, a Rani Resorts, opera atualmente um dos hotéis mais caros da cidade, com diárias de US$ 300.

Os investimentos no interior de Moçambique ilustram a corrida atual na África para construir uma indústria hoteleira, à medida que mais empresários chegam procurando hospedagem similar ao que encontram na Ásia ou na Europa. O número de quartos de hotel na África Subsaariana deve aumentar em cerca de 28% em 2014 ante o ano passado, segundo a consultoria nigeriana W Hospitality Group.

Grandes participantes do mercado, incluindo o Marriott International Inc., o Starwood Hotels & Resorts Worldwide Inc. e o Hilton Worldwide Inc., têm planos para se expandir na África. O Marriott comprou no início deste ano a Protea Hospitality Holdings Ltd., da África do Sul, uma das maiores empresas hoteleiras do continente, por mais de US$ 200 milhões.

Embora as grandes empresas não estejam se instalando em lugares remotos como Palma, aqueles que estão fazendo essa aposta dizem que há grandes vantagens em ser um dos primeiros a chegar lá. A Nexar prevê que irá recuperar seu investimento em menos de quatro anos. Brian O'Donohue, do Pembaland, diz que as empresas imobiliárias que estão construindo agora podem obter retornos anuais na faixa de 15% a 20%.

Os riscos, no entanto, são altos. Em dezembro, a empresa brasileira de infraestrutura Zagope Construções e Engenharia S.A. concluiu a primeira estrada asfaltada de Palma, ligando a vila a Pemba, a cidade grande mais próxima, a cerca de 360 quilômetros. Mas o país ainda precisa investir em muita infraestrutura para que o setor de gás possa começar a produzir. Sem ela, o boom energético pode fracassar e aniquilar a demanda por quartos de hotel.

Além disso, as construtoras dizem que os custos em mercados remotos como Palma são muito mais altos que em regiões desenvolvidas. A empresa "vai precisar de geradores, estações de água e saneamento próprios. Vai realmente precisar fazer tudo sozinha", diz O'Donohue.

Para construir o hotel em Palma, a Nexar Group teve que importar quase tudo para a pacata vila de pescadores. As mercadorias levaram dois meses para chegar de navio e depois seguiram por mais 800 quilômetros por terra.

As cidades de Moçambique que vivem o boom do gás não são as únicas. O mercado imobiliário de outras regiões remotas que passaram pela mesma transformação, como Aberdeen, na Escócia, e Fort McMurray, no Canadá, também estão recebendo um grande impulso do afluxo de trabalhadores. Na África, algumas das cidades mais caras são aquelas que atravessam um boom na produção de petróleo e gás, como Luanda, em Angola e Lagos, na Nigéria.

A Nexar espera que Palma seja a próxima. A empresa busca obter um contrato de longo prazo para o hotel com uma das grandes empresas petrolíferas.

Sinais da nova atividade econômica também começam a aparecer em outros lugares. Yusufoo Musa, um soldador de 30 anos, diz que os novos prédios têm dado impulso aos seus negócios. "O gás será a fonte de mudança de Palma", diz Musa.

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