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Economia

BNDES prevê maior contribuição de óleo e gás ao investimento

15/01/2014 | 10h00

 

O aumento dos investimentos na exploração e produção no pré-sal fará com que a contribuição do setor de óleo e gás na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) na economia salte dos atuais 10% para 14,1% até 2017. É o que mostra levantamento sobre perspectivas de investimento nos próximos quatro anos feito pelo Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A estimativa do banco é que o setor de petróleo e gás receba investimentos de R$ 458 bilhões entre 2014 a 2017, dos quais cerca de 60% devem vir de recursos nacionais.
Esse percentual de aporte nacional equivale a investimento de aproximadamente R$ 271 bilhões, sem contar o efeito que deve ser sentido na indústria como um todo, que pode gerar outros R$ 277 bilhões em investimentos indiretos, segundo dados obtidos pelo Valor.
O economista, André Albuquerque Sant'Anna, do BNDES, afirma que esse avanço se justifica tanto pelo pré-sal como também por projetos que já estavam previstos. E as estimativas podem ser ainda maiores, diz ele, já que os estudos não incluíram os investimentos para exploração do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, leiloado em outubro.
"O foco é o que o setor irá movimentar e não o que o BNDES vai financiar", explicou Sant'Anna. Se os resultados esperados pelo banco se concretizarem, a participação dos investimentos em óleo e gás na FBCF em 2017 será a maior deste século. "Em termos de indústria, óleo e gás tem o maior peso na FBCF."
Sant'Anna não soube estimar quanto dos R$ 271 bilhões que devem ser investidos localmente virão do BNDES. Essa estatística, no entanto, é feita pela área operacional do banco que informou que ainda não tem orçamento fechado para 2014.
"Tenho dúvidas se o desembolso do BNDES para a Petrobras virá maior ou igual. A tendência do desembolso para fornecedores é aumentar", disse o economista do BNDES. Ele acredita que os investimentos em óleo e gás nos próximos anos podem ajudar na recuperação da indústria. "O BNDES, há alguns anos, vem fazendo um trabalho de fomentar a cadeia de petróleo e gás."
Para especialistas, contudo, ainda há incertezas quanto à concretização dos investimentos do setor. "A política de governo para a Petrobras demonstra que as previsões são otimistas. A petroleira está endividada, a exigência de conteúdo local é muito rígida e isso dificulta que a projeção de investimento seja alcançada", avaliou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.
Para Pires, se a política de governo permanecer - com predominância da Petrobras na operação de blocos, reforçada a partir da obrigatoriedade da participação da estatal em todos os blocos de pré-sal - as metas de investimento programadas pela petroleira não vão se realizar.
Segundo o plano de negócios divulgado pela Petrobras no ano passado, a previsão é investir US$ 236,7 bilhões entre 2013 e 2017, sendo que, desse total, US$ 29,6 bilhões ainda estão em análise. Pires explica, no entanto, que a deficiência de caixa da empresa e a deterioração de seu balanço econômico-financeiro têm dificultado a captação de recursos no mercado internacional. Como consequência, a petroleira tem dependido, cada vez mais, de recursos provenientes do banco de fomento.
Embora o BNDES não financie diretamente a exploração e produção de petróleo e gás, 16% do endividamento bruto da Petrobras, que somava US$ 250,86 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, são provenientes do banco de fomento, segundo cálculos feitos pelo CBIE. Essa proporção pode aumentar em função dos novos desafios que se impõem à frente.
Procurada pelo Valor para detalhar investimentos e seus planos de financiamento para o período, a Petrobras disse que não faria comentários adicionais além das informações que constam em seu plano de negócios.
Para Marcelo Colomer, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o financiamento é fundamental para o desenvolvimento da indústria de óleo e gás, além de importante no processo de desconcentração da indústria e entrada de novos agentes no setor.
Além do aumento da demanda da Petrobras por crédito junto ao BNDES, o professor da UFRJ considera que a situação da OGX (atual Óleo e Gás Participações) - em recuperação judicial - dificulta o financiamento para pequenas e médias empresas fornecedoras do setor, principalmente no mercado internacional. "O BNDES é importante para a indústria, porque é o agente disposto a correr risco em situações em que os setores financeiros, nacional e estrangeiro, se mostram pouco amigos", destacou Colomer.
Para o professor da UFRJ, o controle sobre os reajustes de preços da Petrobras aos combustíveis está aumentando a percepção de risco do mercado. "Vai depender de como o mercado vai reagir em função da política econômica brasileira. Por enquanto o mercado não está reagindo bem." Colomer concorda com Pires, do CBIE, e afirma que a indústria nacional não tem condições, pelo menos agora, de atender à demanda.
Para o diretor de petróleo, gás, bioenergia e petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado, o problema não é o financiamento. "Esse valor de investimento, de R$ 458 bilhões, não é instantâneo para a cadeia toda. Esse volume terá repercussão ao longo de três ou quatro anos", explicou. Ainda assim, Machado considera que o fornecimento de garantias para a obtenção do crédito pode ser um problema para pequenas e médias empresas, fornecedores da cadeia de petróleo e gás.
"O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES tem sido a salvação da indústria, mas só pode ser utilizado quando o bem vai ser incorporado ao ativo do comprador", disse Machado, dando como exemplo o caso de um estaleiro.
"Se o estaleiro compra um bem para aplicar no próprio estaleiro, ele pode solicitar o financiamento pelo PSI. Mas se for um bem para aplicar em um navio que está fabricando para um terceiro, o estaleiro não consegue o crédito, porque não vai incorporar o bem ao ativo do estaleiro, ao ativo fixo do comprador", disse Machado. Segundo ele, geralmente o navio já está servindo de garantia para outro empréstimo.
O BNDES apoia, atualmente, 25 projetos de fornecedores para a cadeia de petróleo e gás, que somam financiamento de R$ 2,08 bilhões. Em análise, há outros sete projetos, que somam pedidos de R$ 273 milhões. Ainda de acordo com o banco, a maior parte desse dinheiro vai para empresas pequenas e médias.

O aumento dos investimentos na exploração e produção no pré-sal fará com que a contribuição do setor de óleo e gás na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) na economia salte dos atuais 10% para 14,1% até 2017. É o que mostra levantamento sobre perspectivas de investimento nos próximos quatro anos feito pelo Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A estimativa do banco é que o setor de petróleo e gás receba investimentos de R$ 458 bilhões entre 2014 a 2017, dos quais cerca de 60% devem vir de recursos nacionais.

Esse percentual de aporte nacional equivale a investimento de aproximadamente R$ 271 bilhões, sem contar o efeito que deve ser sentido na indústria como um todo, que pode gerar outros R$ 277 bilhões em investimentos indiretos, segundo dados obtidos pelo Valor.

O economista, André Albuquerque Sant'Anna, do BNDES, afirma que esse avanço se justifica tanto pelo pré-sal como também por projetos que já estavam previstos. E as estimativas podem ser ainda maiores, diz ele, já que os estudos não incluíram os investimentos para exploração do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, leiloado em outubro.

"O foco é o que o setor irá movimentar e não o que o BNDES vai financiar", explicou Sant'Anna. Se os resultados esperados pelo banco se concretizarem, a participação dos investimentos em óleo e gás na FBCF em 2017 será a maior deste século. "Em termos de indústria, óleo e gás tem o maior peso na FBCF."

Sant'Anna não soube estimar quanto dos R$ 271 bilhões que devem ser investidos localmente virão do BNDES. Essa estatística, no entanto, é feita pela área operacional do banco que informou que ainda não tem orçamento fechado para 2014.

"Tenho dúvidas se o desembolso do BNDES para a Petrobras virá maior ou igual. A tendência do desembolso para fornecedores é aumentar", disse o economista do BNDES. Ele acredita que os investimentos em óleo e gás nos próximos anos podem ajudar na recuperação da indústria. "O BNDES, há alguns anos, vem fazendo um trabalho de fomentar a cadeia de petróleo e gás."

Para especialistas, contudo, ainda há incertezas quanto à concretização dos investimentos do setor. "A política de governo para a Petrobras demonstra que as previsões são otimistas. A petroleira está endividada, a exigência de conteúdo local é muito rígida e isso dificulta que a projeção de investimento seja alcançada", avaliou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

Para Pires, se a política de governo permanecer - com predominância da Petrobras na operação de blocos, reforçada a partir da obrigatoriedade da participação da estatal em todos os blocos de pré-sal - as metas de investimento programadas pela petroleira não vão se realizar.

Segundo o plano de negócios divulgado pela Petrobras no ano passado, a previsão é investir US$ 236,7 bilhões entre 2013 e 2017, sendo que, desse total, US$ 29,6 bilhões ainda estão em análise. Pires explica, no entanto, que a deficiência de caixa da empresa e a deterioração de seu balanço econômico-financeiro têm dificultado a captação de recursos no mercado internacional. Como consequência, a petroleira tem dependido, cada vez mais, de recursos provenientes do banco de fomento.

Embora o BNDES não financie diretamente a exploração e produção de petróleo e gás, 16% do endividamento bruto da Petrobras, que somava US$ 250,86 bilhões no terceiro trimestre do ano passado, são provenientes do banco de fomento, segundo cálculos feitos pelo CBIE. Essa proporção pode aumentar em função dos novos desafios que se impõem à frente.

Procurada pelo Valor para detalhar investimentos e seus planos de financiamento para o período, a Petrobras disse que não faria comentários adicionais além das informações que constam em seu plano de negócios.
Para Marcelo Colomer, professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o financiamento é fundamental para o desenvolvimento da indústria de óleo e gás, além de importante no processo de desconcentração da indústria e entrada de novos agentes no setor.

Além do aumento da demanda da Petrobras por crédito junto ao BNDES, o professor da UFRJ considera que a situação da OGX (atual Óleo e Gás Participações) - em recuperação judicial - dificulta o financiamento para pequenas e médias empresas fornecedoras do setor, principalmente no mercado internacional. "O BNDES é importante para a indústria, porque é o agente disposto a correr risco em situações em que os setores financeiros, nacional e estrangeiro, se mostram pouco amigos", destacou Colomer.

Para o professor da UFRJ, o controle sobre os reajustes de preços da Petrobras aos combustíveis está aumentando a percepção de risco do mercado. "Vai depender de como o mercado vai reagir em função da política econômica brasileira. Por enquanto o mercado não está reagindo bem." Colomer concorda com Pires, do CBIE, e afirma que a indústria nacional não tem condições, pelo menos agora, de atender à demanda.

Para o diretor de petróleo, gás, bioenergia e petroquímica da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado, o problema não é o financiamento. "Esse valor de investimento, de R$ 458 bilhões, não é instantâneo para a cadeia toda. Esse volume terá repercussão ao longo de três ou quatro anos", explicou. Ainda assim, Machado considera que o fornecimento de garantias para a obtenção do crédito pode ser um problema para pequenas e médias empresas, fornecedores da cadeia de petróleo e gás.

"O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES tem sido a salvação da indústria, mas só pode ser utilizado quando o bem vai ser incorporado ao ativo do comprador", disse Machado, dando como exemplo o caso de um estaleiro.

"Se o estaleiro compra um bem para aplicar no próprio estaleiro, ele pode solicitar o financiamento pelo PSI. Mas se for um bem para aplicar em um navio que está fabricando para um terceiro, o estaleiro não consegue o crédito, porque não vai incorporar o bem ao ativo do estaleiro, ao ativo fixo do comprador", disse Machado. Segundo ele, geralmente o navio já está servindo de garantia para outro empréstimo.

O BNDES apoia, atualmente, 25 projetos de fornecedores para a cadeia de petróleo e gás, que somam financiamento de R$ 2,08 bilhões. Em análise, há outros sete projetos, que somam pedidos de R$ 273 milhões. Ainda de acordo com o banco, a maior parte desse dinheiro vai para empresas pequenas e médias.



Fonte: Valor Econômico
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