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Combustíveis

Bird prefere financiar álcool ao biodiesel

31/05/2007 | 00h00

Banco alega falta de escala de projetose riscos maiores

A Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla em inglês), agência do Banco Mundial (Bird) que trabalha com financiamentos e operações de crédito comercial, planeja aumentar seus investimentos na produção de etanol na América Latina, mas ainda não se impressionou com projetos para a produção de biodiesel. A afirmação foi feita pelo representante do Departamento de Agronegócios da IFC no Brasil, Marcelo Lessa. "Tivemos muitas propostas para o biodiesel e não gostamos de nenhuma até agora", disse o executivo.

Lessa explica que os projetos apresentados à entidade eram baseados em matérias-primas de alto custo, como o óleo de soja, ou oleaginosas exóticas, como jatrofa (pinhão manso) e mamona, que não são cultivadas em larga escala. Lessa disse que a IFC deve anunciar mais duas usinas de açúcar e álcool no Brasil este ano. Para ele, o Brasil serve de referência na análise de projetos de etanol em outros países. "Vamos dar suporte e financiamento para todo empreendimento que for ambientalmente sustentável e possa ser competitivo com o Brasil em termos de custo", disse Lessa.

O Brasil possui hoje o menor custo de produção no etanol. Lessa disse que a IFC estuda propostas para a produção de álcool na Colômbia, Nicarágua e Guatemala, sendo que a última já está nos estágios finais de analise. A IFC emprestou US$ 45 milhões para um investimento do Grupo Pellas na produção de etanol de cana-de-açúcar na Nicarágua em 2006.

Lessa ponderou que a maior parte dos investimentos em biodiesel é feita por pessoas que não têm experiência no setor. Segundo o executivo, alguns desses projetos não fazem nenhum sentido do ponto de vista agrícola, logístico ou de localização. "Os riscos no biodiesel neste momento são maiores. Os investidores do etanol são pessoas com muito mais senso do que estão fazendo", comparou.

O representante da IFC disse que os investimentos do banco em biodiesel também têm de considerar o impacto no preço dos alimentos e das rações. Os preços do óleo de palma bruto, por exemplo, praticamente dobraram na Europa por causa da demanda para a produção de biodiesel, segundo Lessa. Tal demanda "inevitavelmente puxa o preço dos óleos comestíveis para os consumidores pobres da Índia, onde o óleo de palma é usado na preparação de alimentos".

Brasil tem hoje o menor custo de produção de etanol e serve de referência na análise de projetos.



Fonte: Agência AE-Dow Jone
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