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Negócios

Bañuelos deixa Brasil Ecodiesel para acomodar incorporação da Vanguarda

22/07/2011 | 09h41
O investidor espanhol Enrique Bañuelos vendeu a participação que detém na Brasil Ecodiesel, equivalente a 11% do capital social da companhia. Bañuelos alienou cerca de 120 milhões de ações. Com a venda, ele deixa de ser o maior acionista da empresa, produtora de biodiesel e uma das maiores companhias de agronegócios do país. A Brasil Ecodiesel tem controle difuso, com cerca de 25 mil acionistas, e só ações ordinárias (com direito a voto) em circulação na bolsa.
 

O principal comprador dos papéis de Bañuelos foi o empresário Helio Seibel. Ele adquiriu 108 milhões de ações, que correspondem a 9,96% do capital da Brasil Ecodiesel. O valor do negócio não foi revelado.
 

Com a aquisição, Seibel passa a ser o maior acionista individual da companhia, com 17,86% de participação. O empresário é sócio da Brasil Ecodiesel desde o início de junho, quando adquiriu uma fatia da Vila Rica I Fundo Investimento em Participações (Vila Rica), o veículo de investimento de Bañuelos na Ecodiesel.
 

Seibel é dono da Leo Madeiras, sócio da rede de materiais de construção Leroy Merlin e acionista da Duratex, uma das maiores fabricantes de louças e metais sanitários e de painéis de madeira da América do Sul.

A saída de Bañuelos representa uma reestruturação societária na Brasil Ecodiesel para acomodar a incorporação da produtora de soja Vanguarda. Como o espanhol é dono de 50% da Vanguarda, ele passaria a deter, na incorporação, cerca de 27% da Brasil Ecodiesel.
 

"O comitê de avaliação da proposta de incorporação deve concluir os estudos até semana que vem", diz o executivo Marcelo Paracchini, presidente da Veremont, o braço de investimentos de Bañuelos no Brasil. "Assim que o estudo estiver pronto, o conselho de administração se reúne para aprovar a transação."
 

Se a incorporação for concretizada, o fundador da Vanguarda, Otaviano Pivetta, ex-deputado estadual do Mato Grosso, passará a deter cerca de 32% da Brasil Ecodiesel. Helio Seibel ficará com aproximadamente 10%.
 

O empresário Silvio Tini, que se manifestou contrário à transação da Vanguarda, poderá ter sua participação diluída à metade, para cerca de 8%, se não participar do aumento de capital para a incorporação, estimado em R$ 1,2 bilhão.
 

Tini e Bañuelos chegaram a entrar em embate por causa do negócio da Vanguarda, porque o empresário brasileiro não admitia ser diluído depois de ter investido mais de US$ 100 milhões na companhia nos últimos anos.
 

A proposta de incorporação da Vanguarda foi feita por Bañuelos, no início do ano. Se o espanhol não tivesse vendido sua participação na Brasil Ecodiesel, sua fatia aumentaria para mais de 40% depois da incorporação da Vanguarda.
 

Segundo apurou a reportagem do Valor, Tini e Bañuelos só chegaram a um acordo depois que o espanhol se comprometeu a vender uma participação do negócio. "Era uma demonstração de que Bañuelos não seria controlador", diz uma pessoa próxima à empresa.
 

No acordo, Silvio Tini abriu mão de um assento no conselho de administração e aceitou destituir os antigos integrantes. Há cerca de três semanas, Tini, Bañuelos e Seibel votaram em uma chapa única, com seis membros. Cada um dos investidores detém dois assentos.



Fonte: Valor Econômico
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