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América do Sul

Argentina quer barrar para vizinhos sua gasolina barata

11/07/2006 | 00h00

Com preços de combustíveis muito menores do que os demais países da região e com dificuldades para atender plenamente sua demanda interna, a Argentina decidiu aumentar os valores cobrados aos motoristas estrangeiros que cruzam a fronteira para abastecer seus veículos.

Segundo anunciou ontem o secretário de Energia, Daniel Cameron, os veículos com placas estrangeiras pagarão pelo combustível um preço similar ao vigente em seus próprios países. Ele não especificou os valores.

As autoridades também não disseram como colocarão em prática a cobrança de preços diferenciados. Cameron deu a entender que os postos poderão ter uma bomba especial para vender aos estrangeiros, mas isso poderia implicar que esses locais fiquem com uma bomba quase ociosa, já que a alta de preços deve fazer com que os clientes de fora do país deixem de comprar combustível na Argentina. O decreto com a resolução deve ser publicado hoje no diário oficial e, de acordo com o funcionário, seu alvo principal são os motoristas chilenos e brasileiros. 
 
Segundo Cameron, o sobrepreço será cobrado para todos os combustíveis, mas a maior preocupação do governo é com o diesel. Ele afirmou que nos últimos seis meses o aumento da demanda nos postos de fronteira representou um consumo extra de 120 mil metros cúbicos de óleo diesel, ou cerca de 1% do que é consumido anualmente no país.

A cifra é importante porque em épocas de pico, como a atual, de safra agrícola, a Argentina não consegue atender toda a demanda e é obrigada a importar, já que sua capacidade de refino é insuficiente. A pedido do governo argentino, no final do mês passado foi importado do Brasil, pela Petrobras, um carregamento com 20 mil metros cúbicos de diesel, para melhorar a oferta de combustível no mercado interno.

A Argentina é um país exportador de petróleo e derivados, o que permite ao governo manter os preços internos praticamente congelados, apesar das fortes altas no preço internacional. Em 2003, o governo implantou um imposto de exportação progressivo que faz com que o fisco absorva boa parte dos valores obtidos com a venda de petróleo. "As empresas ficam com cerca de US$ 35 por barril", disse o ex-secretário de Energia Jorge Lapeña, estimando que a cotação do petróleo produzido pela Argentina seja de cerca de US$ 65. O Estado leva, então, US$ 30 por barril exportado.

O esquema atua como limite para os preços internos dos combustíveis e influi sobre os custos de energia elétrica, que são muito mais baixos comparados ao resto da região. A energia barata tem sido um dos fatores que ajudaram o país a recuperar competitividade depois da desvalorização do peso, em janeiro de 2002.

Mas o virtual congelamento tem estimulado fortemente a demanda. O país vive hoje uma situação peculiar: em vez de economizar combustíveis, a maioria dos consumidores gasta mais e opta pelo mais caro. Segundo estimativa da consultoria IES, a venda de combustíveis no primeiro trimestre deste ano cresceu 4,9%, com expansão de 18,3% nas vendas de gasolina de melhor qualidade e queda de 15,5% na gasolina comum.

Em contraste, a produção de petróleo caiu, também no primeiro trimestre, 4,8%. A previsão da maioria dos analistas do setor é que, se não houver em breve nenhuma grande descoberta de petróleo, até o final da década a Argentina passará a importar o produto. O problema é que a situação atual de preços não estimula investimentos em exploração, mas o governo não parece disposto a ceder.

Um dos entraves para que as autoridades permitam a atualização de custos energéticos é o seu impacto sobre a inflação e o custo de bens e serviços básicos: a passagem de ônibus urbano em Buenos Aires, por exemplo, permanece intocada em 0,70 pesos (R$ 0,50) desde a desvalorização.

Neste inverno, o país não teve nenhum problema sério de abastecimento de gás ou eletricidade, mas o clima tem ajudado, com temperaturas altas para essa época do ano. Um consultor de empresas, que não quis ser identificado, disse que companhias que se beneficiaram de melhoria de competitividade graças aos baixos custos da energia estariam temerosas e atrasando investimentos porque não sabem se poderão contar com um suprimento estável e barato de energia no futuro.



Fonte: Valor Econômico
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