acesso a redes sociais
  • tumblr.
  • twitter
  • Youtube
  • Linkedin
  • flickr
conecte-se a TN
  • ver todas
  • versão online
  • Rss
central de anunciante
  • anunciar no site
  • anunciar na revista
Ferro

Anglo planeja dobrar produção do Minas-Rio

13/08/2008 | 04h56

Braço para minério de ferro da Anglo American no Brasil, a Anglo Ferrous admite duplicar a capacidade do projeto Minas-Rio, que começará produzindo 26,6 milhões de toneladas por ano. Basta para isso que não haja reversão completa da tendência de crescimento das economias emergentes, como China e Índia, afirmou o presidente da empresa, Bernie Pryor. Os planos podem soar ousados, mas combinam com a estratégia global da Anglo para o setor: produzir 150 milhões de toneladas anuais de minério de ferro a partir de 2017 e consolidar-se como player mundial.

 

"Já nascemos significativos no mercado, e nossas unidades serão fundamentais para consolidação do grupo como player mundial na produção e transporte transoceânico de minério de ferro," afirmou Pryor.

 

O porte da Anglo praticamente obriga a esta ambição: são operações em 45 países, distribuídos por cinco continentes, faturamento anual próximo a US$ 25 bilhões, projetos apriovados de investimento orçados em US$ 12 bilhões, outros US$ 29 bilhões em estudo.

 

O grupo é líder global em platina e diamante, e atua em metais básicos (níquel e cobre), carvão e agora minério de ferro. Derrotada no leilão da Vale, em que seu favoritismo chegou a inspirar regras restritivas, a Anglo teve paciência para esperar quase uma década antes de retomar os planos de influência no mercado de minério de ferro.

 

As armas para isso são o crescimento da Kumba, mineradora controlada na África do Sul, e o desenvolvimento dos projetos Minas-Rio e Amapá, comprados como parte da Iron X, do empresário Eike Batista. A Anglo investe em pesquisa geológica desde a chegada ao País, em 1973, mas para ingressar no minério de ferro optou por adquirir uma empresa pronta, na maior aquisição desse tipo já feita pelo grupo sul-africano em todo o mundo. "Quem acompanha o setor sabe da dificuldade de formar e treinar uma equipe, daí a opção por um modelo que permitisse às equipes seguir trabalhando," argumentou Pryor.

 

A nova unidade de negócios dará a maior contribuição para a expansão da Anglo no País, novo foco de expansão do grupo. Só no Minas-Rio, detido 100% pela Anglo Ferrous, os investimentos somam US$ 3 bilhões.

 

 

A expectativa é de um primeiro embarque de pellet feed (finos de minério) no final de 2010, com a capacidade máxima (26,6 milhões de toneladas) a ser atingida 18 meses depois. "Por definição, a Anglo busca prolongar a vida útil das jazidas e encontrar veios, para estender o retorno dos projetos. Solicitei à equipe, neste primeiro momento, que focasse as metas atuais, pois sabemos o quanto é difícil manter o cronograma e o orçamento intactos em projeto de US$ 3 bilhões," explicou.

 

No caso do Projeto Amapá, nem as denúncias de superfaturamento nas obras da ferrovia desanimam o executivo, que prevê operação plena em dezembro deste ano. "Fizemos o comissionamento (início efetivo dos testes) em janeiro, e projetos desse tipo não levam menos de onze meses, pois tudo tem que ser feito levando em conta a segurança dos trabalhadores", contou. O investimento lá soma US$ 357 milhões.

 

O tamanho do complexo Minas-Rio será dado por duas variáveis: a evolução do preço do minério e o retorno financeiro. "Ferro não é como cobre ou zinco, que tem contratos futuros na London Metal Exchange. O que baliza os preços são as negociações entre a Vale e a BHP, de um lado, e as siderúrgicas chinesas, de outro. Daí a dificuldade de previsão mais exata," sustentou.

 

Pryor cita os relatórios de bancos de investimento, contudo, para mostrar-se confortável em descartar uma queda livre das cotações do minério. "A grande maioria concorda que haverá um ajuste para menos, mas que o novo nível de equilíbrio encontrado prosseguirá por dez a quinze anos," disse.

 

O fator que sustenta o relativo otimismo dessas previsões é o crescimento da China e, em menor escala, de outros mercados emergentes, como a Índia.

 

"A China encontra-se no meio de um processo de acentuada urbanização. As escalas são gigantes. Os planos oficiais são de criar ou desenvolver 20 cidades, de uns 10 milhões de habitantes se consideradas as periferias. Não é São Paulo, mas é como criar 10 Grandes Rios de uma só vez, em pouco mais de uma década. É razoável supor que nem todo o aço para essas estruturas venha da própria China, o que deverá gerar um efeito multiplicador sobre a demanda muito maior que o dos Jogos Olímpicos de Pequim," exemplificou.

 

 

A fleugma com que Pryor encara possiveis flutuações de preço reflete a confiança nos executivos e técnicos. "Mineração é trabalho de longuíssimo prazo. Quando estudamos mina, falamos em explorar a jazida por no mínimo 20 a 30 anos. Se aceitamos o pico como parâmetro para os custos, o projeto é o primeiro a ser interrompido. Assim, se compramos uma mina, ou um conjunto delas como no caso da Iron X, é porque consideramos o custo adequado inclusive para os períodos de baixa de preço do minério," explicou.

 

Pryor deu a entender que a atração de siderúrgica para o Complexo do Açú, em São João da Barra, no Norte fluminense, seria favorável ao projeto. Ele disse que o foco do grupo é vender minério, o das siderúrgicas é comprar, descartando ao menos por ora uma parceria, ainda que minoritária, na nova usina.

 

"O mais provável é que mesmo depois da inauguração de grandes projetos, como a CSA Thyssen, o País acabe importando aço," explicou Pryor. Melhor para o Brasil, segundo o executivo, por mais que se levem em conta as necessárias precauções face aos impactos ambientais.

 

"Sem o beneficiamento aqui, se paga frete para levar o minério e depois para trazer o aço, o que não faz sentido," detalhou.



Fonte: Jornal do Commercio
Seu Nome:

Seu Email:

Nome do amigo:

Email do amigo:

Comentário:


Enviar