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Energia

Amazônia altera mapa da geração no país

20/12/2010 | 10h05
O uso dos rios da Amazônia para a produção de energia elétrica, mesmo sob fortes protestos de ambientalistas, deixou de ser apenas uma discussão sobre o que parecia ser um futuro distante para ir tomando forma durante o governo Lula. Com base nas licitações realizadas até agora, é possível afirmar que a região será responsável pela geração de quase um terço de toda a energia hidrelétrica do país. A floresta será inundada por cerca de R$ 60 bilhões, necessários para a construção de sete usinas que juntas alteram não só o mapa da produção como o dos negócios de geração.


Quando entrarem em operação, as megausinas licitadas na região - Madeira, Belo Monte e Teles Pires que juntas somam 19.500 MW - vão alterar o ranking dos grandes geradores privados do país. A liderança continuará nas mãos da GDF Suez, mas o grupo francês reduziu o apetite depois do negócio em Jirau (veja matéria ao lado). Novos geradores tentaram usar a Amazônia como trampolim para o topo do ranking, como a Odebrecht Energia- mas a empresa não conseguiu ir além de Santo Antônio e a ínfima participação na sociedade de Teles Pires. Outros ficaram marcados pela ausência, como foi o caso da CPFL Energia, quarta maior do país, que disputou dois leilões e perdeu. Quem despontou foi o grupo Neoenergia, que sai da sexta para assumir a segunda posição.


A empresa controlada pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil(Previ) e pelo grupo espanhol Iberdrolafoi a vencedora da licitação da usina de Teles Pires, na sexta-feira, onde detém mais de 50% da sociedade investidora, e é também dona de 10% de Belo Monte. Com esses dois projetos, a Neoenergia vai ampliar em cerca de dois mil megawatts (MW) sua capacidade de geração somente com projetos na região. O montante representa quase a totalidade do que a AES Tietê, a 2ª maior geradora privada do país e a 10ª, se levado em conta as estatais, tem hoje sob sua administração.


A ascensão da empresa, entretanto, está se dando sob uma plataforma de forte risco em termos de retorno sobre o investimento. A usina de Belo Monte, onde tem 10% da sociedade e será responsável por cerca de R$ 2,5 bilhões de investimentos, ainda não obteve licença ambiental para o início das obras. A energia da usina foi vendida a menos de R$ 80 o MWh e a base de retorno se dá em torno da antecipação do início da geração. Em Teles Pires, na sexta-feira, o espírito agressivo da Neoenergia pôde ser visto pelo baixo preço oferecido pela energia para ficar dona da usina. O lance vencedor de R$ 58,36 é o menor preço da história dos leilões de energia do país, mesmo se comparado com leilões de projetos existentes. Além disso, a empresa terá o desafio de construir a usina em menos de quatro anos.


O ranking futuro dos geradores privados só não será inteiramente modelado pelos projetos da Amazônia porque o grupo Bertin, que tem participação em Belo Monte, é dono de concessões de termelétricas leiloadas em 2008 que somadas chegam a quase 5 mil MW. Boa parte delas está com o cronograma atrasado, mas a empresa afirma que entregará os empreendimentos e assim vai ocupar posição de destaque no ranking. Em Belo Monte, por meio da Gaia Energia, o grupo tem 9% da sociedade, quase mil megawatts, mas ele tem a opção de ficar com apenas 2% e deve tomar essa decisão somente no próximo ano.


Das sete usinas na Amazônia que tiveram energia vendida em leilões do governo federal, cinco foram negociadas neste ano. Além de Belo Monte, que tem 11.233 MW de capacidade e investimentos previstos em R$ 25 bilhões, foram leiloadas Colíder (300 MW) e Teles Pires (1.820 MW), ambas no rio Teles Pires no norte de Mato Grosso e dentro da Amazônia legal. No Amapá, foi vendida energia das usinas de Ferreira Gomes (153 MW) e Santo Antônio do Jari (300 MW). Esta última já tinha outorga registrada há alguns anos, mas só agora o empreendimento irá adiante com a venda da energia realizada na sexta-feira.


As usinas da Amazônia ainda sofrem forte pressão das organizações não governamentais e Ministério Público Federal. Em Teles Pires, na semana passada, se repetiu o que já se transformou em um rito em leilões de hidrelétricas: liminares cassam a licença ambiental e próximo ao leilão a Advocacia Geral da União consegue derrubar a liminar e o leilão acontece. Em Belo Monte, já havia sido assim. Dessa forma, mesmo sob judice, as usinas continuam saindo do papel. Santo Antônio e Jirau são bons exemplos.


O governo, entretanto, não tem se sensibilizado com os argumentos dos ambientalistas que alegam que está se mudando e se destruindo parte da Amazônia para sempre. O projeto de Tapajós, a próxima megausina no Pará, ainda não começou a ser discutido dentro do governo, mas pode representar uma mudança. Questionado sobre se há planos para se fazer de Tapajós um modelo diferente de discussão e até do processo de licenciamento, o presidente da Empresa de Pesquisa (EPE), Maurício Tolmasquim, diz apenas que sim, de que é preciso ter um plano de discussão, mas nenhuma ação concreta ainda foi tomada.


Fonte: Valor Econômico
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