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Álcool

Acordo do etanol salvou a passagem de Bush pelo Brasil

12/03/2007 | 00h00

Para empresários, liderança do país em biocombustíveis está consolidada

O memorando firmado entre Brasil e Estados Unidos para colaboração na produção de biocombustíveis é o ponto da visita do presidente George W. Bush mais aplaudido pelos empresários brasileiros. De maneira geral, eles acreditam que o acordo consolida mundialmente a posição de ponta do Brasil no setor.

"Assinando o entendimento, os Estados Unidos mostraram o respeito que têm pelo Brasil", acredita o presidente da Gradiente, Eugênio Staub. "Isto é muito bom, com perspectivas de negócios nesta área de energia", avaliou. "O encontro de Bush com o presidente Lula foi muito positivo."

O empresário acompanhou a visita dos dois presidentes ao terminal da Transpetro, na última sexta-feira, embora não tenha negócios diretamente relacionados ao setor. "Não era um encontro da minha área, mas eu me dispus a ir à Transpetro e foi muito bom, positivo mesmo", relatou Staub, que também é da diretoria do Instituto de Estudos e Desenvolvimento da Indústria (Iedi).

Para o empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Conselho de Administração do Grupo Votorantim, "não há dúvida alguma de que o álcool será o combustível do futuro". Ele acredita que isso ocorrerá pela dificuldade de surgir um combustível renovável mais barato. "O álcool já comprovou que polui pouco e dá certo como combustível", acrescentou.

Ermírio diz que na área energética o Brasil leva vantagem "por ter a natureza a seu lado", por conta dos cursos de água que podem ser usados para gerar energia com hidrelétricas.

Tarifas - Para os produtores, a maior frustração na visita de Bush foi não haver nenhum sinal de redução das tarifas de importação sobre o etanol brasileiro. O presidente americano foi claro ao dizer que só após 2009, prazo da regra atual sobre a tarifa, podem haver mudanças - mas que dependem do Congresso. Fontes do setor sucroalcooleiro dizem que o memorando de entendimento sobre biocombustíveis, assinado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, foi apenas uma oficialização do que já estava em pauta.

"A grande novidade seria a negociação das barreiras. Esse era o ponto nevrálgico da visita de Bush", disse o diretor-técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues. Para ele, de qualquer forma a vinda de Bush é o início de uma negociação importante. "Nunca havia ocorrido uma conversa nesse nível, de presidente para presidente. Era tudo muito informal. Daí a importância", afirmou.

O empresário e conselheiro da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Maurílio Biagi Filho, disse que não se podia ter grandes expectativas em relação à redução de tarifas. "Foi dado o primeiro passo", afirmou.

Para o presidente-executivo da Dedini Indústrias de Base, Sérgio Leme dos Santos, o que pode impulsionar as exportações de álcool brasileiro é a padronização do combustível para que vire commodity internacional - ponto previsto na cooperação com os EUA. "Será uma grande ajuda para o setor em termos de exportação", explicou. "Estamos dando um passo importante para consolidar o que temos construído desde a época do Proálcool."

Cooperação - O presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo, Eduardo Carvalho, comemorou o memorando de cooperação técnica na área de biocombustíveis. "Na medida em que a gente consiga concreta as regras de cooperação fixadas entre os dois presidentes, vamos ter um avanço fantástico", disse Carvalho. "O acordo tem uma importância estratégica para nós", acrescentou.

Segundo Carvalho, a expectativa do setor é ampliar em praticamente o dobro a atual produção de álcool combustível, passando de 17,5 bilhões de litros para 34 bilhões de litros anuais, em um prazo de seis anos. A União Canavieira também prevê aumento na produção de açúcar, subproduto da cana.

Carvalho destacou, por outro lado, possibilidade de em pouco tempo os EUA terem uma produção competitiva de etanol. Diante dessa perspectiva, os usineiros esperam que o governo brasileiro continue investindo fortemente no setor. Para Carvalho, o setor deseja que a produção avance pelo mundo fora, pois isso criaria condições de garantir o abastecimento no mercado mundial de forma sustentada. O acordo entre Brasil e EUA também agradou o setor automobilístico.

De acordo com o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, a meta das montadoras instaladas no Brasil é a de quintuplicar, nos próximos seis anos, a frota dos veículos bicombustível.

"Temos hoje 2,6 milhões de unidades flex-fuel e em 2013, serão 15 milhões ou 50% da frota nacional, calcula Golfbarb. "Sem dúvida nós precisamos ter muito foco na questão de pesquisa e de tecnologia para o setor de biocombustível.

Interesses comuns na energia limpa

O memorando assinado pelos presidentes Lula e Bush tem o objetivo declarado de "avançar a cooperação em biocombustíveis" e destaca as dimensões "bilaterais", "em terceiros países" e "global" desse objetivo.

Segundo o memorando, Brasil e EUA têm interesses comuns compartilhados na área no desenvolvimento de recursos energéticos baratos, limpos e sustentáveis, os quais têm "importância estratégica como força transformadora na região para a diversificação de recursos energéticos, a promoção de crescimento econômico, o avanço da agenda social e a melhoria do meio ambiente".

Do ponto de vista bilateral, conforme o memorando, representantes dos governos do Brasil e dos EUA pretendem avançar na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias para biocombustíveis de nova geração. Em relação aos "terceiros países", Brasil e EUA afirmam o desejo de trabalharem juntos para levar os benefícios dos biocombustíveis a nações selecionadas por meio de estudos de viabilidade e assistência técnica. O trabalho deverá começar na América Central e no Caribe.

Do ponto de vista global, os dois governos anunciaram que pretendem expandir o mercado de biocombustíveis por meio da cooperação para o estabelecimento de padrões uniformes e normas. Para atingir esse objetivo, vão manter cooperação no âmbito do Fórum Internacional de Biocombustíveis (FIB), levando em conta o trabalho realizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade do Brasil (Inmetro) e o Instituto Norte-Americano de Padrões e Tecnologia (NIST), bem como coordenando posições em fóruns internacionais complementares.

Para supervisionar as atividades realizadas será estabelecido um grupo de trabalho composto por integrantes do Brasil e dos Estados Unidos.

Brasil e EUA defendem urgência para Doha

As discussões sobre os pontos que travaram as discussões em meados do ano passado para o fechamento de acordos em torno da Rodada de Doha tiveram avanço na manhã de sábado durante encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e a representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab.

Amorim disse que houve um sentimento mútuo sobre a necessidade de se concluir as negociações o mais rápido possível. Amorim mantém a expectativa de que haja avanço até o final de abril.

Para a representante dos EUA, Susan Schwab, antes das reuniões interministeriais será necessário esgotar as questões junto aos segmentos empresariais diretamente envolvidos.

Schwab disse que os EUA observam com tristeza o fracasso de Doha e que há um sentimento de que o cansaço de Doha possa fazer com que os países percam uma janela de oportunidades. Por isso, justificou que seu país tem procurando manter diálogos em reuniões bilaterais para ajustar os interesses comuns.



Fonte: Agência Estado
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