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Petroquímica

À frente da Braskem, Carlos Fadigas quer impor crescimento acelerado

16/02/2011 | 09h46
O período não poderia ser o mais turbulento. Carlos Fadigas, 41 anos, assumiu em dezembro a presidência da Braskem, maior petroquímica das Américas, cargo antes ocupado por Bernardo Gradin. A saída de um dos principais acionistas do grupo Odebrecht da companhia ocorreu em meio à discussão sobre a interpretação do acordo de acionistas do conglomerado, mas Fadigas dá um tom meio alheio a toda essa polêmica e dispara: "No grupo Odebrecht nada é mais permanente que a mudança", diz o executivo ao Valor, em sua primeira entrevista depois que assumiu o novo posto.
 

O ano de 2010 prometia movimentações. Mas ele não esperava que o giro fosse tão rápido. Em maio, Fadigas foi destacado para assumir a Braskem América para fazer a integração da primeira operação internacional do grupo, adquirida em fevereiro do mesmo ano, por US$ 350 milhões. A compra dos ativos da Sunoco Chemicals foi um importante passo da empresa para se tornar uma das cinco maiores petroquímicas do mundo - hoje ocupa a oitava posição. "O que a gente comprou lá não era tão pequeno [três fábricas de polipropileno (PP), com capacidade de 1 milhão de toneladas]."
 

O executivo não chegou a esquentar a cadeira em território americano. Seis meses depois de mudar para os EUA com sua mulher e dois filhos, voltou ao Brasil com a missão de ocupar o mais alto posto da divisão petroquímica da Odebrecht. Sua meta no curto prazo será tocar quatro importantes projetos, três deles com investimentos, os quais somam cerca de R$ 1,35 bilhão no Brasil. Esse pacote envolve a construção de uma fábrica de PP verde (a partir de fontes renováveis), uma unidade de butadieno (matéria-prima para borracha) e uma fábrica de PVC. O outro no México, batizado de Etileno 21, já foi divulgado pela empresa, com aportes de US$ 2,5 bilhões.
 

A fábrica de PP verde receberá aporte de R$ 100 milhões e terá capacidade para produzir 30 mil toneladas por ano. O local do investimento ainda não foi definido, mas a unidade deverá entrar em operação em 2013. A planta de butadieno entra em operação em 2012, embora também não tenha ainda localização definida, e consumirá US$ 150 milhões. Esses dois projetos ainda dependem de aprovação do conselho. Já a unidade de PVC da Braskem, em andamento em Alagoas, entra em operação em 2012, com aportes de R$ 1 bilhão.
 

No longo prazo, Fadigas deverá seguir a filosofia de seus antecessores: tornar a Braskem uma das maiores petroquímicas do mundo até 2020. A "pegada" atual será promover esse crescimento aliando à biomassa como um fator preponderante para a expansão. "A Braskem foi convidada para participar de investimentos em fábricas de resinas verdes em quatro países, entre Ásia, Europa e América do Norte. Somos líderes globais em biopolímeros. Essa é uma fronteira que está em ebulição. A Braskem desta década vai explorar todas as oportunidades nessa área."
 

O grupo não descarta a construção de novos complexos industriais no Brasil. "Temos espaço para novas fábricas e estamos sempre atentos a novas oportunidades. Temos como prioridade o desgargalamento das unidades atuais, que são sempre mais interessantes, mas há alternativas como desativar uma fábrica já obsoleta ou investir em um novo complexo integrado, com craker novo. Estamos mapeando todas as possibilidades e os investimentos vão acontecer no melhor cenário econômico."
 

Neste mês, a petroquímica deverá definir o novo CEO para os EUA. No Brasil, também haverá mudanças na estrutura interna da companhia, que teve receita bruta consolidada da Braskem foi de R$ 19,5 bilhões em 2009, quase metade dos R$ 40.6 bilhões da controladora Odebrecht. Com Quattor e Sunoco, o balanço da empresa no ano passado ficou mais robusta: até o terceiro trimestre, a receita bruta somou R$ 25,8 bilhões.
 

Seguindo os passos de quem conhece bem a cartilha Odebrecht, Fadigas diz não se intimidar com os novos desafios pela frente. "Faz parte da cultura do grupo formar sucessores (...). O processo é muito mais longo que isso. Eu tinha isso como objetivo [chegar à presidência] e faz parte da cultura da casa pensar em crescer", diz. Desde 1993 no conglomerado Odebrecht, Fadigas disse que nos últimos dez anos mudou cinco vezes de cargo. Na Braskem, assumiu o cargo de principal executivo financeiro, o CFO, em 2007. "A sucessão não foi da noite por dia. A gente é exposto. Me envolvi na compra da Quattor [anunciada em janeiro de 2010 em parceria com a Petrobras ] e da Sunoco. Faço parte do comitê executivo da Braskem nos últimos quatro anos. A notícia tem que vir algum dia. Isso ocorreu com os outros também. Um dia a empresa vai seguir em frente sem mim."
 

Sob sua gestão, Fadigas diz que está preparado para fazer a petroquímica crescer dentro e fora do Brasil. Nos EUA, o faturamento histórico das três fábricas da Braskem gira em torno de US$ 1 bilhão. "O primeiro passo foi integrar uma equipe de executivos americanos importantes e trazê-los para a nossa cultura. Para ser uma multinacional, a Braskem tem que ter um conjunto global de executivos. Nos aproximamos de nossos clientes e também queremos melhorar a performance dos nossos ativos. Estamos conseguindo", afirma.
 

Com a crise global iniciada em 2008, as petroquímicas americanas sentiram mais que o Brasil. Nos primeiros nove meses de 2009, os ativos da Sunoco registraram vendas líquidas de R$ 1,252 bilhão, com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 112 milhões. Em 2010, até setembro, sob nova gestão, a receita subiu para R$ 1,737 bilhão, com Ebtida de R$ 162 milhões. A Braskem volta este ano a olhar ativos para crescer nos EUA, não necessariamente em polipropileno, especialidade das unidades atuais, e já estuda a criação de uma linha de especialidades químicas em território americano. O projeto ainda está em fase de viabilidade econômica. As três unidades americanas recebem este ano um pacote de investimentos de US$ 50 milhões para a modernização. "O objetivo é operar a 90% da capacidade instalada nos EUA [em 2009 as petroquímicas globais operavam a uma média de 80% e em 2010 em torno de 85%]", diz.
 

A compra da Quattor, anunciada em janeiro de 2010, já vem sendo deglutida. Parte dos ativos era considerada defasada. No primeiro trimestre do ano, o Ebtida da companhia atingiu R$ 107 milhões, dobrou para R$ 214 milhões no segundo trimestre e para R$ 302 milhões no terceiro.
 

O cenário para 2011 não poderia ser dos melhores, diz. "Voltar para o Brasil neste momento foi fabuloso, considerando uma economia que vai crescer 4,5% e um mercado de resina que deve expandir 10%, ante a média global entre 5% e 6%." Fadigas acredita na retomada do ciclo de alta do setor, com melhores margens.
 

Com 31 fábricas, das quais 28 no país, a empresa segue com diálogos firmes com a Petrobras no projeto Comperj, no Rio. "Está evoluindo para que i complexo petroquímico no Rio de Janeiro dê o melhor retorno econômico em refino e petroquímica. A Braskem participará na petroquímica." Já os planos em Suape (PE) seguem, mas sem grandes avanços. "Estamos entendendo melhor." Os planos para América Latina - Venezuela, Peru e Bolívia - também continuam, com equipes debruçados nos projetos. "No Peru, ainda aguardamos confirmação e disponibilidade de gás. Na Venezuela, estamos discutindo a melhor configuração do projeto e melhor localização e na Bolívia, detalhando os projetos.


Fonte: Valor Econômico
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