Revista Brasileira de Tecnologia e Negócios de Petróleo, Gás, Petroquímica, Química Fina e Indústria do Plástico
EPE defende concentração no setor de distribuição
Fonte: Jornal do Commercio
Data: 05/03/2010 10:39
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defendeu ontem a concentração de empresas na área de distribuição de energia, como sendo alternativa para aumentar os investimentos no setor. Indagado sobre as perspectivas de fusões e aquisições, argumentou que não vê aspecto negativo ou mesmo de risco de formação de monopólio.
"Se isso ocorresse na área de geração, haveria uma redução da competitividade. Mas na área de distribuição há um preço controlado e diferenciado por região. A concentração de grandes grupos só aumenta a capacidade de investimentos da empresa", disse após seminário promovido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Tolmasquim também negou que haja uma "ação" do governo federal articulada em prol da criação de uma empresa gigantesca no setor elétrico, a exemplo do que já ocorreu em outros setores, como na área de frigoríficos, na petroquímica e na telefonia.
A menção da criação de uma gigante do setor elétrico ocorre no momento em que a Light foi adquirida pela Cemig, empresa do governo mineiro, que avalia também a compra da Ampla. Além disso, há movimentação da CPFL para a aquisição da Neoenergia, empresa que detém o controle de três distribuidoras no Nordeste.
PLANO DECENAL. Tolmasquim sinalizou a possibilidade de o novo Plano Decenal do setor eliminar novos empreendimentos de geração térmica movida a óleo combustível ou diesel. Segundo afirmou, a ideia é priorizar "ao máximo" construção de usinas hidrelétricas, além da geração por biomassa e eólica.
"Não dá para dizer que não teremos nenhuma térmica, mas é possível pelo menos não ter térmicas a óleo. Se conseguirmos as licenças ambientais para todos os empreendimentos planejados, serão priorizados investimentos hídricos, eólicos e de biomassa", antecipou.
O plano está sendo discutido no âmbito do Ministério de Minas e Energia e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Uma prévia do planejamento, que estima os investimentos no setor elétrico nos próximos 10 anos, deverá ser disponibilizada para consulta pública "muito brevemente", segundo assegurou.
De acordo com o presidente da EPE, este ano já será seguido este modelo de prioridade à energia renovável. Serão realizados três leilões, dos quais um destinado à usina de Belo Monte em abril, para a geração de 11 mil MW. Outros dois, com capacidade de geração de mais 5 mil MW para início em 2015, devem ocorrer para a geração hidrelétrica, eólica e de biomassa.
Belo Monte. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse ontem que o novo preço-teto para o leilão da usina de Belo Monte foi calculado em R$ 81 por megawatt-hora (MWH), o que representa um acréscimo de 19% em relação ao originalmente calculado em fevereiro pela EPE, de R$ 68 por MWH. Segundo o ministro, também o custo total da obra foi recalculado de R$ 16 bilhões para pouco menos de R$ 20 bilhões.
"O valor da obra ficou em R$ 19,6 bilhões", afirmou o ministro. Lobão disse que o governo não cedeu à pressão de empresários ao aumentar os valores. "Não cedemos. Só consideramos os custos reais da obra", disse.
www.tnpetroleo.com.br